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Expresso

Palavra dada é palavra honrada? Só se tiver assinatura…

Os factos alternativos estão aí… Para quem ainda achava que “palavra dada era palavra honrada”, ficam agora finalmente a saber que apenas é verdade se tiver um documento assinado. Porque afinal quem disse que se pode confiar apenas na palavra dos políticos?

O nacional “porreirismo” volta a atacar mais um governo. Advogados privados a criar e redigir leis públicas já não conseguem chocar ninguém. Advogados e consultores privados a assessorarem futuros e potenciais Conselhos de Administração de empresas públicas, sem mandato formal para o efeito também não parece levantar dúvidas de maior…

Futuros potenciais Presidentes de empresas públicas a negociarem com altos representantes do Estado Português e da Comissão Europeia enquanto empregados de competidores privados, e usando os meios de comunicação do seu empregador privado, tal como a conta de correio electrónico profissional, estão acima de qualquer suspeita.

Gestores privados fazerem exigências para serem gestores públicos da maior empresa pública mas serem tratados como gestores privados, desobrigando-os de umas quantas responsabilidades de transparência de rendimentos e de património, é considerado normal e até aceite por altos representantes do Estado. Caso contrário os gestores privados não teriam aceitado o transparente cargo de gestor privado de empresas públicas.

Mas a questão que realmente choca qualquer português é como foi possível tantos advogados, consultores e gestores privados não se terem lembrado de pedir uma assinaturazinha de um qualquer representante do Estado, de preferência de ministro para cima, como de resto exigiriam em qualquer outro acordo entre privados?

Tanto facilitismo, algum voluntarismo e um claro excesso de confiança levaram ao infeliz desfecho final de uma das maiores operações financeiras em Portugal, envolvendo o maior banco do mercado português.

Ver o Conselho de Administração da maior empresa publica recém-empossada e recém-demitida no mesmo ano não é aceitável e deixa muito a desejar da gestão da coisa pública por parte do Estado.

Considerar toda esta lamentável prestação pública como uma trica entre comadres é certamente não menos lamentável. E claramente contraproducente, pois como o povo bem sabe, quando se zangam as comadres, sabem-se as verdades. Será certamente o caso. Com ou sem assinatura dos políticos envolvidos.

Ou então não passa tudo de um erro de percepção...