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Expresso

Descrispador Marcelo precisa-se!

Os nervos são uma chatice. Aparentava ser tão calmo e paciente que era impossível resistir a uma negociação com ele. Respeitador e bom ouvinte, entusiasmava qualquer um com as suas demonstrações de tamanha amabilidade e afecto.

Mas no melhor pano cai a nódoa. Quem achava impossível o primeiro-ministro perder a compostura e a pose democrática, ficou na semana passada incrédulo com o que viu e ouviu na Assembleia da República. Só para quem não conhece impossíveis, não terá sido surpresa.

O país ficou a saber que afinal ter oposição é muito aborrecido. Principalmente quando essa oposição não concorda com um governo minoritário. Este tipo de coligações negativas da oposição devia ser proibido. Pelo menos quando fosse contra governos minoritários que não venceram as eleições.

Já não há paciência para tamanha falta de sentido democrático e de pose de estado. O parlamento está cheio de gente pouco confiável. Uns dizem que apoiam o governo minoritário e afinal não apoiam. Ou apoiam mais ou menos…

Outros dizem que não fazem oposição porque não concordam ser governados por quem perdeu as eleições. Ressabiamento pouco democrático porque afinal o ar é de todos e todos têm direito a mandar de vez em quando… pois o sol quando nasce é para todos!

O pior é quando os ressabiados acordam e querem jogar outra vez, recordando que a bola afinal é sua e por isso ou jogam todos ou ficam sem bola. Todos sabem o quão exasperante é quererem tirar a bola do jogo que estamos a jogar.

Principalmente se for de algum menino mimado… decisivamente se esse menino mimado for rico, como todos os meninos mimados da direita. Que não deixam os meninos trabalhadores da esquerda jogar.

Pela primeira vez na história democrática de Portugal um primeiro-ministro deu voz a um governo de esquerda, apoiado pelas esquerdas, ao vociferar alegremente do alto do seu púlpito que o maior partido da oposição, que venceu as eleições, “não conta para nada!”.

É bonito, e está muito na moda, governar com um tique autoritário. O povo gosta e sempre vai animando a malta. Principalmente quando é bem pensado e usado como arma política para disfarçar que é o governo que não pode contar com nada. Nem com os partidos de esquerda que supostamente o apoiam…

Mas a camada de nervos que se apoderou do primeiro-ministro já começou a fazer estragos, quando o fez responder a uma pergunta do líder da oposição sobre o real défice orçamental sem medidas extraordinárias, com um respeitável e respeitoso “saberemos quando o diabo vier!”.

Porque andará o nosso estimado primeiro-ministro tão nervoso?