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Expresso

Juros a subir? Que injustiça...

A competição entre os partidos que apoiam o governo para ver quem é o responsável por mais medidas positivas e mais à esquerda impostas ao governo, só é comparável com a fobia de reclamação da autoria de tudo o que de positivo ainda acontece em Portugal por parte do governo.

O aumento do salário mínimo ficou a dever-se à influência decisiva do BE, da pressão hercúlea do PCP ou do facto de simplesmente estar inscrito no programa de governo?

O fantástico crescimento económico de 2016 foi devido aos efeitos milagrosos dos multiplicadores de Centeno, da reposição dos salários da função pública ou do fim da austeridade?

O cumprimento do objectivo do défice orçamental resultou da falta de investimento público, da excelente gestão das finanças públicas ou da massiva cativação de despesas públicas nos vários ministérios e empresas públicas, como por exemplo as empresas de transportes públicos?

O aumento repentino das exportações no segundo semestre foi originado pelos determinantes apoios do ministério da economia à indústria, pelo crescimento de vendas de bens para o estrangeiro ou pelo aumento pontual do turismo?

Apenas o título de campeões europeus de futebol terá sido alheio à intervenção do governo, mas mesmo assim foi alvo de usurpação pela classe política em geral, tentando usufruir de mais um (e)feito positivo.

Da mesma forma, tudo o que de mal acontece em, ou a, Portugal tem culpado diferente e responsabilidade externa do BCE, dos alemães em particular ou da União Europeia no geral. Já para não falar nas dificuldades criadas ou maldades feitas pela oposição que ainda teima discordar do governo, numa clara demonstração de ausência total de sentido democrático, ao desrespeitar a maioria.

O ataque mais recente das forças externas que querem destruir Portugal, consiste no aumento da taxa de juro da dívida pública nacional por parte dos criminosos mercados que estão novamente a prejudicar a nossa economia, em muito maior escala que os outros países periféricos. Novamente. Seguramente porque odeiam Portugal.

Mas elementos da maioria já saíram em defesa da honra de Portugal dizendo que é injusto e infundado tamanho ataque, pois o BCE e a União Europeia tinham dito que se cumpríssemos os critérios de convergência nada de mal nos iria acontecer. E afinal enganaram-nos mais uma vez...

Portugal finalmente cumpriu o critério do défice orçamental e só porque a dívida pública continua a aumentar alegremente, o crescimento económico ainda não despertou, o investimento continua fechado na gaveta para dar espaço ao aumento da despesa com os aumentos salariais do Estado, as reversões das concessões de serviços públicos foram usadas como cartão de visita deste executivo, a aparentemente tão desejada “nacionalização” do NovoBanco está na moda, o constante apelo à restruturação da dívida pública já é feito quase numa base diária, os mercados não gostam de nós?

Mais uma injustiça contra Portugal. Só falta mesmo um partido que suporta o governo fazer campanha para a saída do Euro para ajudar à festa!