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Expresso

Contos de Natal

Bonita e feliz época natalícia que se vive em Portugal atualmente. Após um ano de afetos e reposição de rendimentos, a alegria e felicidade consumista voltou este ano a fazer parte da vida dos portugueses.

Já ninguém se lembra dos malfadados tempos de austeridade forçada pelos excessos passados e pela conjuntura externa desfavorável, no seguimento de uma crise financeira que dificultou o financiamento a países sobre-endividados.

Conta a história da narrativa da pós-verdade que a austeridade foi uma imposição da direita, com o seu conhecido requinte de malvadez, e que jamais as forças protectoras de esquerda a deixarão voltar a atacar os portugueses.

Tal como todos os bons contadores de histórias, quem conta um conto acrescenta-lhe um ponto, pelo que o governo tenta adaptar a realidade à sua história. Contando a história apenas parte da realidade. A melhor parte.

Como a maioria da audiência só quer ouvir coisas boas, o sucesso da encenação está garantido à partida, com a ajuda preciosa dos experientes atores com formação em ações e demonstrações de rua, muito em voga com governos de direita e do antigo PS.

A acalmia social sustentada nos outrora muito ativos partidos que suportam o atual governo, faz de facto o comum dos mortais crer que todos os problemas que há pouco mais de um ano atormentavam os portugueses já desapareceram. Por obra e graça do governo e seus partidos de pseudo-coligação.

Pouco interessa se os hospitais, escolas e transportes públicos não têm dinheiro para funcionar normalmente e prestar um serviço público de qualidade, porque agora isso já não interessa nada.

Tal como os galopantes valores de dívida pública atual e correspondentes juros nos outrora famosos “mercados” deixaram de preocupar qualquer um que ainda acredita em contos de Natal.

Em época de balanço anual, o ambiente festivo que se viveu em 2016 foi mais positivo para a moral dos portugueses do que para os seus bolsos, devido ao peso dos impostos indiretos nos seus rendimentos disponíveis, especialmente o imposto sobre os combustíveis.

Esperemos que a sorte que protege os audazes continue em alta no próximo ano, continuando a alimentar o aumento do turismo de forma a manter Portugal na moda enquanto destino internacional turístico e que impeça a previsível instabilidade política europeia e mundial de atingirem Portugal e os seus “mercados” financiadores de dívida.

Porque apesar de não se falar deles, eles continuam aí à espera de um qualquer deslize numa história mal contada.