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Expresso

&conomia à 3ª

Tal como as vacas, a dívida também voa!

O aumento sustentado da dívida pública não parece preocupar muita gente. Com tantas e tão boas notícias para funcionários públicos e pensionistas, a dívida publica segue alegremente o seu caminho, gozando a sua vida própria.

De acordo com César das Neves, a dívida pública aumentou 14 mil milhões de euros num ano de governação da esquerda amiga dos contribuintes. Como já dizia um Primeiro-Ministro com pouco jeito para anotar dívidas pessoais a terceiros, as dívidas não se pagam... gerem-se.

Em países com défices orçamentais crónicos, como Portugal, o modelo de gestão financeira do Estado consiste no pagamento de dívida antiga a vencer com emissão de dívida nova de maior valor, pois tem que incluir capital em dívida anterior mais défice orçamental, simplisticamente.

Nesta linha de pensamento de esquerda, aparecem agora aprendizes de aspirantes a governantes com teorias revistas e melhoradas sobre o mesmo dilema. Partindo da mesma base, de que as dívidas não se pagam, e considerando a “inevitabilidade” de aumentar a dívida para suportar os défices orçamentais, descobriram a solução de todos os nossos problemas: não só não pagamos a dívida, como os credores pagam parte da dívida por nós, perdoando parte da mesma.

A gestão da dívida através da sua renovação e aumento passou assim à história. Agora será renegociada a sua diminuição à custa dos credores. Resta saber quem financiará depois o subsequente aumento da dívida, ainda que a partir de uma base mais reduzida, devido aos défices orçamentais que não deverão desaparecer através do mesmo passe de mágica.

Mas certamente que encontrarão alguém que suporte o estilo e condições de vida dos portugueses. Que não os próprios portugueses. Talvez os outros europeus que deveriam pagar para nos sustentar. Porque os portugueses também tem o direito de viver bem.

A época natalícia é propícia para este tipo de pensamentos positivos em relação ao que achamos que merecemos. No balanço de mais um ano passado, é normal desejar óptimos presentes por bom comportamento.

Quem não deseja, e certamente merece, que as suas dívidas sejam perdoadas pelos bancos para que possam viver melhor e mais felizes? Quem não prefere ser rico e com saúde do que pobre e doente?

Pode ser que o Pai Natal Draghi traga o seu trenó cheio de dinheiro europeu para continuar a comprar dívida portuguesa por muitos e bons anos. Puxado por vacas voadoras... Porque as renas não voam!

Votos de Feliz Natal com muita saúde e dinheiro... Ou pelo menos com poucas dívidas.