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Expresso

Democratas antimonárquicos e pró-ditadores de esquerda

A democracia deve ser vivida sem amarras ao passado. Principalmente se no passado não havia democracia para viver. Passados 41 anos do 25 de Novembro, é bom verificar que os complexos de esquerda da sociedade portuguesa começam finalmente a desaparecer. Mas é apenas o começo…

Quando já todos pensavam que afinal a esquerda radical até conseguia privilegiar o interesse público, do seu ponto de vista social que devemos respeitar democraticamente, em detrimento da sua radical ideologia política, eis que padeceram de uma forte recaída na semana passada.

A aceitação e convivência com o cumprimento do Tratado Orçamental que tanto abominavam, com o processo de integração europeia e com a permanência na Zona Euro, faziam crer que a esquerda tinha encontrado finalmente o sentido da vida democrática, respeitando a vontade da maioria dos eleitores portugueses.

O aparente e, sabe-se agora, frágil sentido de Estado que alguns deputados da esquerda radical que apoiam e suportam o governo se esforçavam por exibir, não resistiu à tentação de uma boa arruaça na Assembleia da Republica, à frente do mais alto representante de um país amigo e democrático.

São incontáveis as razões pelas quais qualquer representante eleito por um povo deve respeitar e bem receber qualquer representante democrático de qualquer povo amigo. No caso de Espanha não serão necessárias muitas mais para além das económicas, sociais, históricas e geográficas.

Principalmente quando se recebe o seu representante máximo na casa da democracia portuguesa, independentemente de ter sido eleito pela República ou sufragado pelo povo que escolheu manter a sua monarquia histórica, em vez de perseguir e extinguir qualquer resquício monárquico como outros povos fizeram.

Da mesma forma, outros deputados de outra esquerda radical que também apoia e suporta o actual governo, exibiram recentemente a sua democrática visão do romântico mundo em que ainda vivem, ao esclarecem o povo português que “Estar a qualificar Fidel Castro como um ditador não é só simplista como errado”.

Convinha alguém democraticamente esclarecer que a democracia é de todos. Cada um acredita no que bem entende, mas convém respeitar as opiniões e escolhas dos outros. Principalmente quando também são escolhas democráticas.

A democracia não é nem de esquerda nem exclusiva da república. As monarquias actuais na Europa foram aceites pelo povo que democraticamente assim escolheram viver. E talvez tenham mesmo existido alguns ditadores pouco democráticos de esquerda também… e ainda existam.