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Expresso

Trump: yes he can…

Quase tudo já foi dito sobre a eleição de Trump e sobre esta nova personagem da realidade mundial que alguns odeiam e muitos adoram. Embora alguns destes últimos tenham vergonha de assumi-lo. Por enquanto…

Começa agora a ficar claro que não é por ignorarmos um problema que ele vai desaparecer. E Trump já é um problema há muito tempo. Mas todos preferiram ignorá-lo a pretexto da invencibilidade do sistema. Do sistema democrático, do sistema eleitoral e do sistema social.

A separação actual entre eleitos e eleitores é de tal forma significativa que justifica em grande parte este alheamento das elites face ao povo. Esta disrupção social agora tornada mais perceptível, mas não necessariamente nova, implica que o confronto entre as elites e o povo já não oponha ricos a pobres, nem direita à esquerda, dando todo um novo conceito à velhinha luta de classes.

As elites são agora identificadas com o “sistema”. Com quem controla, influencia, usufrui ou utiliza o sistema. E assim é devido à percepção do povo que esse sistema é usado pelas elites em proveito próprio, e não para o bem comum.

Nesta “nova” dicotomia social, o povo é necessariamente quem está fora do sistema e se sente injustiçado e posto de parte. Para isto em grande parte contribuem as crescentes desigualdades sociais, a crise financeira e a inabilidade dos líderes atuais em entenderem e gerirem o descontentamento e frustração daí resultantes.

A fervorosa febre opinativa de todos os participantes nas redes sociais e a banalização de julgamentos em praça pública de pessoas e de (pseudo-)factos/verdades potencia tomadas de posição populistas, ao abrigo do anonimato que muitos tentam manter quando questionados em público sobre as suas opiniões e escolhas, como se voltou a ver nas sondagens da eleição de Trump e já se tinha visto no referendo ao Brexit.

O populismo de Trump não é melhor nem pior que outros que florescem pela nossa Europa fora. Nem é muito sofisticado, mas tal como os populistas na Europa, teve o mérito de perceber melhor e mais depressa o que o povo quer. O que quer ouvir e o que quer sonhar.

Na ânsia de manterem o poder para apenas garantir a sua sobrevivência política, e dos seus partidos, os políticos actuais esqueceram-se da real motivação da política. Motivar o povo para sonharem com uma vida melhor. Sempre à custa de muitas promessas e de alguns resultados benéficos da sua acção governativa, fazendo o povo sentir-se como parte da solução e não do problema.

Trump é o novo político. Não-político e contra o sistema actual. Até se tornar um político do novo sistema. Do seu sistema. Onde também não caberão todos…