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Expresso

Quem se mete com os políticos… leva!

A política não é para todos. Nem para qualquer um. Principalmente quando é política feita por políticos profissionais. Aqueles cuja carreira depende da sua sobrevivência política. Carreira política e pós-política, onde e quando poderão vir a ganhar dinheiro a sério…

Como é sabido, o custo de oportunidade em política é muito elevado. Mesmo nos bons velhos tempos da alternância democrática entre os partidos do centro, as travessias do deserto podiam ser longas e difíceis…

Nos dinâmicos tempos que agora se vivem, os políticos atuais esforçam-se ainda mais para dar o tudo por tudo para garantirem o seu cargo político. Principalmente se for cargo político e público. Nunca se sabe o dia de amanhã e por isso há que tratar da vidinha enquanto é tempo.

O instinto de sobrevivência de qualquer político é assim largamente superior ao de qualquer técnico/profissional que por várias vezes já foram arrastados para o cenário político em Portugal, por motivos vários.

Os chamados “independentes”, que ficam sempre bem em qualquer governo, são vendidos aos eleitores como um garante do profissionalismo e das melhores práticas da indústria ou sector de onde provêm. Numa tentativa de extravasar a percepção desse profissionalismo para os restantes elementos desse governo.

Mas um dos problemas dos “independentes” é terem a mania que podem decidir. E que sabem como decidir e quando decidir. Até perceberem que apenas devem decidir sobre matérias já decididas pelos políticos ou cujo apoio político já seja público. Pois caso contrário serão abandonados a sua sorte na praça pública.

O ministro das finanças ficou a conhecer esta realidade através da extraordinária nomeação da não menos extraordinária equipa de gestão da Caixa Geral de Depósitos. Com legislação específica sobre caso concreto, como não manda a lei, a extraordinária pretensão de gestores privados não virem a ser públicos na gestão da coisa pública, terá sido atendida pelo ministro independente das finanças com o suporte dos técnicos juristas e outros pseudo-políticos.

Deveria ter garantido, ou pelo menos procurado, o apoio político público do primeiro-ministro em tão sensível matéria. Mas a inexistência de oposição facilitou o entendimento que somos todos sérios e responsáveis, pelo que devemos acreditar nas pessoas e confiar nos políticos.

Se o ministro tivesse comprometido previamente o primeiro-ministro, ou tentado, teria aprendido antes o que é a política e como é bom ser político em Portugal. Bem melhor que ser ministro independente das finanças.

Fica agora a saber que uma palmadinha nas costas não é suficiente para segurar um ministro ou uma equipa de gestão do maior banco português. E quanto vale a promessa de políticos, principalmente quando sabem que não a podem cumprir.