Siga-nos

Perfil

Expresso

Qual é o objectivo da (re)capitalização?

  • 333

E assim se passou mais um querido mês de Agosto. No entanto, a folia e despreocupação características da altura do ano preferida pelos portugueses, foram este ano atacadas pelo feroz rigor e disciplina do Estado.

Entre viagens de lazer pagas a secretários de Estado que não sobrevivem politicamente sem um Código de Conduta em letras maiúsculas e inspeções da ASAE com escolta policial a vendedores de bolas de Berlim nas praias do Algarve e a outros vendedores ambulantes, de semelhante ameaça para a economia nacional, todos sentiram que Portugal está a mudar. Pedir facturas das bolas de Berlim é agora mais importante do que pedir facturas de viagens ao Euro.

Em Economia, a gestão por objectivos de curto prazo incentiva a prioritização dos objectivos, em detrimento da prioritização dos actos de gestão para atingir um objectivo de longo prazo. Em empresas e em política.

A este propósito vale a pena recordar que o “objetivo” de recapitalizacao pública da Caixa Geral de Depósitos não é um objectivo em si mesmo, apesar dos festejos e dividendos políticos que todos os apoiantes do governo tentam calorosamente disputar. A sensação de dever cumprido ainda está longe de poder ser vivida pelos políticos. E pelos portugueses.

Apesar dos valores acumulados pela CGD em ajudas estatais disputarem directamente a liderança da banca privada no custo para os contribuintes, a existência de um grande banco de capital

português no futuro parece depender cada vez mais do banco público. Nao sendo brilhante, é a conclusão que seguramente sairá da reorganização do sistema financeiro em Portugal.

Por esta razão, a recapitalização pública da CGD é apenas um acto de gestão para cumprir o objectivo de longo prazo que consiste em manter um banco de capital português que consiga ser importante no sistema financeiro.

E para ser importante tem que conseguir ocupar um lugar de destaque no mercado, competindo com os restantes bancos, ainda que dedicado a segmentos de mercado, não sendo necessário oferecer todos os serviços ou produtos que os restantes.

Na agora comprovada impossibilidade de ser um banco global, a especialização do Banco público será apenas um dos elementos constituintes da sua estratégia a ser determinada pela sua equipa de gestão e aprovada pelo seu accionista. Todos os portugueses.

A equipa de gestão terá de ser assim responsabilizada ou premiada pela sua gestão e pelos seus resultados. Ao contrário do que tem acontecido até aqui.

Transparência e controlo do rigor da gestão e dos seus resultados serão fundamentais para não se repetirem futuras necessidades de capitalização. Que no futuro serão cada vez mais difíceis de aprovar em Bruxelas.

Esta recapitalização terá sido a última possível nestes moldes e esperemos todos que seja o primeiro acto de gestão bem sucedido da nova estratégia que possibilitará atingir o objectivo de ser o maior banco nacional, ainda que seja o único...

Este é o verdadeiro objectivo. E é de longo prazo, pelo que ainda falta muito caminho a percorrer pela nova gestão.