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Expresso

Não há conflitos de interesse! Só há interesse...

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Alguém terá dito há muito tempo que Portugal é um país de brandos costumes. A pequena dimensão do país, o reduzido número de habitantes e a quase inexistente classe média contribuem para a visão extremista da sociedade actual.

A tão na moda divisão da sociedade entre ricos e pobres, patrocinada pelos políticos atuais, ilustra bem a cultura de extremos vivida actualmente. Deixou de haver meio-termo.

Historicamente o “nacional porreirismo” tem sido exageradamente utilizado para ultrapassar esta inexistente escala de níveis entre os extremos da realidade. É socialmente mais fácil relevar e desculpar do que confrontar e assumir as consequências, o que exigiria uma cultura bem diferente de responsabilidade e de responsabilização.

Num país onde os políticos fazem leis específicas com cláusulas de excepção genéricas sobre o comportamento dos políticos, a responsabilização de quem quer que seja pelo quer que seja fica de facto difícil...

Por isso todos têm a consciência tranquila, pois é virtualmente impossível alguém praticar algum acto ilegal. Actos socialmente imorais ou reprováveis, pouco éticos ou de má conduta nunca ninguém sequer ouviu falar.

Se não houver um código de conduta que explique bem aos políticos como interpretar a lei a que já estão sujeitos, estarão sempre a tempo de criar um à medida dos primeiros prevaricadores da lei, que forem expostos socialmente.

Mas mesmo que já haja um código de conduta aplicável ao ministério dos prevaricadores, pode-se sempre criar um novo e ainda mais específico para mostrar que são todos sérios e de confiança, pois assim estaremos todos mais seguros no futuro com vários códigos de conduta, porque a lei é claramente insuficiente ou simplesmente ineficiente.

O que vale aos portugueses é que em Portugal são todos sérios, honestos e de confiança, ao contrário do resto do mundo.

Prevenir o incumprimento da lei passa por garantir comportamentos transparentes e eticamente irrepreensíveis. Nas empresas e nos organismos públicos, especialmente no Estado.

Não porque são todos corruptos mas porque haverá sempre alguém que não será tão sério e honesto como parece.

É responsabilidade da sociedade implementar vários níveis de responsabilização pública e privada. Entre o legal e o ilegal existe um longo caminho a percorrer, com várias etapas intermédias que interessa identificar, nomeadamente a nível dos sempre esquecidos interesses cruzados entre negócios e política.

Mas em Portugal não existem conflitos de interesse. Apenas existem interesses...