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Expresso

Ainda há tempo para o sonho comandar a vida?

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Logo agora que parecia estar tudo a correr tão bem, como todos desejavam, voltam os Velhos do Restelo com a lenga-lenga do crescimento abaixo do sonhado, com a necessidade de reduzir a indispensável despesa do Estado, com a dura realidade da escassez de recursos.

Os inimigos da Pátria voltam a atacar o modo de vida que todos gostariam de ter. Estranhamente a velha troika ainda pensa que pode exigir o cumprimento de covenants (requisitos económico-financeiros) a Portugal, como qualquer financiador exige a qualquer empresa devedora na vida real empresarial.

A troika ainda não percebeu como é fácil aumentar salários, diminuir impostos, reduzir a dívida pública, aumentar o crescimento e aumentar o emprego. Tudo ao mesmo tempo... É só mesmo uma questão de tempo e poder negocial. Também nessa matéria Portugal tem muito a aprender com os amigos da Grécia.

Mas mesmo com tantos amigos e com tanta habilidade negocial junta, a experiência governativa atual necessita de tempo para mostrar que será bem-sucedida na tarefa hercúlea de gerir um país descapitalizado, com fraca produtividade e que não gera riqueza para ser distribuída.

Negociar a distribuição da riqueza que não existe porque não é criada, começa a parecer ser um dos maiores desafios nacionais, apesar de tantas medidas essenciais já tomadas para a distribuição do pouco que existe.

Mas apesar do afetuoso momento político que Portugal vive atualmente, a troika nunca irá perceber o valor dos afetos numa relação paternalista, em que o Estado protetor está em todo o lado para negociar em nome dos Portugueses.

Negociar tudo e com todos.

Negociar com os partidos que suportam o Governo.

Negociar com o Presidente da República.

Negociar com a Troika e restantes credores as expectativas de (in)cumprimento das metas necessárias.

Negociar interesses privados com investidores privados, interesses privados com reguladores públicos, interesses públicos com investidores privados.

Negociar o comportamento politicamente correto de jovens civis nas camaratas do Colégio Militar.

Negociar o nome do Cartão de Cidadão, como sendo mais uma das prioridades nacionais.

Negociar com os Portugueses o aumento de impostos indiretos, como o IVA e o imposto sobre os combustíveis, para diminuir impostos diretos e aumentar salários da função pública e outras despesas do Estado, para fingir afetuosamente que a austeridade acabou.

Infelizmente pouco tempo e disponibilidade sobram para gerir o país. Só resta continuar a sonhar que basta acreditar num futuro melhor para lá chegar. Tal como continuar a acreditar que é suficiente dizer que é necessário haver estabilidade para esta existir.

Deve ser bom acreditar que é só uma questão de tempo e que tudo vai correr bem... e sonhar ainda não paga impostos indiretos. Ainda…