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Expresso

Liberdade de Abril

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Há 42 anos que Abril é o mês da Liberdade em Portugal. A revolução de Abril de 1974 é festejada este ano com fulgor renovado, celebrando finalmente um governo de esquerda apoiado pelas esquerdas. Até os capitães de Abril voltam a aceitar festejar a revolução na casa da democracia, a Assembleia da República.

A liberdade do PREC é lembrada com saudade e por isso confundida com liberdade para oferecer bofetadas a colunistas de opinião da imprensa livre. Livre para apoiar os políticos do governo. E todos os políticos livres que prezam a liberdade. A sua.

Pena é não ouvir agora os guardiões da liberdade, de serviço nos últimos 42 anos, a bradar aos céus com tamanho ataque à liberdade conquistada por Abril. Antigamente, o que seria se um ministro oferecesse bofetadas a não um, mas dois colunistas de opinião, que discordam da sua política ou da sua forma de fazer política. Principalmente se fosse um ministro da Cultura. Especialmente de um qualquer governo de direita. Ou de esquerda. Desde que não fosse apoiado pelas esquerdas.

Mas actualmente estas matérias da liberdade são pouco importantes para a discussão política. A não ser a liberdade dos ministros e deputados para fazerem política de café. Se os cronistas chatos da imprensa não o permitem, então que se demita o coitado do ministro, porque não é aceitável tal ingerência.

Será concerteza mais uma injusta congeminação da imprensa livre sobre um desajeitado político em liberdade que poderia ter sido um grande ministro. Mas não será, como tantos outros que nunca o foram.

As celebrações da liberdade começaram a semana passada com a queda do primeiro ministro deste governo. Esta semana celebra-se a liberdade de escolha dos amigos e dos aliados. A aliança celebrada ontem com a Grécia contra as políticas de austeridade da União Europeia vai ficar na história.

O Primeiro-Ministro de Portugal apontou a Grécia e Portugal como dois exemplos que mostram que "há alternativas". Indentificou igualmente um problema estrutural que tem de ser corrigido, as “assimetrias das economias". A solução finalmente encontrada passará por um novo "impulso à convergência das nossas economias com as economias mais desenvolvidas da Zona Euro".

Tsipras concorda que a solução passa pela necessidade de crescimento económico, redução do desemprego e da dívida pública. Para isto, basta "conseguir, no âmbito da União Europeia, acordar um programa para ultrapassar todos os problemas".

Já todos tinham saudades de Tsipras e da sua Grécia livre. Que boa ideia para celebrar Abril.