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Expresso

Ele rouba mas... fala bem ao telefone!

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A globalização tem destas coisas. Todos consomem as mesmas coisas em todo o mundo. A moda, a economia, o desporto e a imprensa são globais. Agora também a política passou a ser. Principalmente a alegada corrupção na política.

Numa sociedade de consumo rápido como a atual, a informação viaja a um ritmo alucinante, como qualquer produto ou serviço transacionável. Quase instantaneamente, uma notícia deixa de o ser rapidamente porque todos passam a estar informados através de um simples clique.

A anulação do efeito temporal na propagação das notícias exponencia a sua relevância, ou pelo menos, o seu impacto. Principalmente nos visados. O ciclo de vida de uma notícia é agora muito mais curto mas muito mais pronunciado.

Mesmo em meios mais pequenos e numa fase menos desenvolvida dos meios de comunicação, como era Portugal nos tempos idos do jornal “O Independente”, os frequentes desmentidos ou direitos de resposta a capas do jornal eram já publicados num quarto de página perdida nos meandros do jornal.

É agora praticamente impossível desmentir uma notícia, pois o desmentido surge obrigatoriamente já na fase descendente do ciclo, onde a atenção dos consumidores é muito menor devido ao afastamento da zona de impacto atingida com o disparo da notícia, no pico do seu ciclo. Atirar primeiro e perguntar depois é agora ainda mais mortal. Principalmente em política.

No entretanto, a democracia política chegou ao povo, aproximando-o do poder e dos políticos. O povo na política tem contribuído para uma maior responsabilização dos políticos do povo. Pelo povo.

Embora o exemplo mais conhecido desta realidade seja o Brasil, pelo conhecido fenómeno de aculturação brasileira iniciado pelas telenovelas do país irmão, a indústria política nacional já produz políticos igualmente capazes e audazes.

Mas a diferença de qualidade ainda é assinalável. Bom exemplo disso é o facto de as conversas telefónicas da elite política brasileira serem claras, bem-dispostas e com emoção, com as quais qualquer mortal eleitor do povo se pode identificar. Mesmo deste lado do oceano.

Por cá temos um ex-político escutado telefonicamente a falar com amigos como se fosse uma criança de 3 anos a falar ao telefone. O que já devia constituir um crime em si mesmo. Quem já tentou falar com uma criança de 3 anos ao telefone conhece bem as semelhanças.

Como sempre, as telenovelas brasileiras são melhores que as portuguesas, com melhor enredo, melhores atores e incomparavelmente melhores diálogos. Veremos se o final é feliz para o povo ou se são os políticos a viverem felizes para sempre. Nas telenovelas, claro.