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Expresso

Brexit para inglês ver…

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O jornalista preferido de Margaret Thatcher foi colega de escola do actual Primeiro Ministro no mais famoso e elitista colégio interno britânico, donde já saíram cerca de 20 Primeiros Ministros. Colegas mas nunca verdadeiramente amigos, são apenas conhecidos de longa data. E agora terão que assumir toda a rivalidade disfarçada desde então.

Assumindo-se como provocador nato, Boris Johnson tem fortalecido a sua imagem de enfant-terrible da política britânica. O fã nº 1 da ex-Primeira Ministra do Reino Unido, de quem quer erigir uma estátua em Londres, tem vindo a agitar o establishment da sociedade britânica actual ao colar-se à imagem da Dama de Ferro e defender o mesmo tipo de estilo e forma de governação.

É sabido que o Mayor de Londres considera, há já algum tempo, que a igualdade económica é impossível de ser atingida devido às diferenças naturais do ser-humano, com as quais justifica que algumas pessoas sejam bem-sucedidas e outras não.

Desta forma, relaciona em grande parte este facto com as diferenças de níveis de inteligência na espécie humana, em que 16% possui um QI abaixo de 85 e apenas 2% acima de 130.

O thatcherismo de Boris assume todo o seu fulgor quando defende que algum nível de desigualdade económica é essencial para promover a inveja e a ganância entre seres-humanos como motores da actividade económica.

O popular e hábil comunicador Boris prepara-se agora para atingir o seu ponto mais alto na discussão política britânica, através da contenda com David Cameron na batalha pelo Brexit. Provocação ou não, terá sido certamente mais uma decisão impulsiva e emocional baseada no seu apurado instinto político.

Para além do instinto, Boris sabe que a maioria da Escócia, dos Trabalhistas e parte dos Conservadores deverão votar pela permanência do Reino Unido na União Europeia. Mas também sabe que a maioria dos Conservadores deverá votar pelo Brexit e que serão estes a elegê-lo futuro líder do Partido e candidato a Primeiro Ministro.

Por isso o resultado do referendo pouco importa, pois Boris sabe que ganhará sempre o Partido. Ajudado pelo facto de Cameron ter já dito que não se iria recandidatar, a vitória será vista como uma sucessão e não uma traição, continuando “amigos” como sempre.

Não deixa de ser irónico que a promessa de referendo do Brexit, feita para dar a vitória a Cameron nas anteriores eleições, possa vir a estar agora na origem da vitória de Boris na liderança do seu Partido. Nunca um referendo tinha sido tão politizado.