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Expresso

Isto é política da boa… à antiga!

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A política é linda. Em política o que parece é. E a política atual parece linda. Finalmente alguém faz frente aos inimigos de Bruxelas para proteger o povo oprimido. Não só o povo português mas todos os povos Europeus, porque tamanha lição dada pelos portugueses aos adversários da Comissão Europeia fará história. Por isso esta política deve ser mesmo linda. Se assim não fosse, com certeza que Varoufakis não estaria desta vez ao lado de Portugal e dos Portugueses, de que tanto gosta.

Receber mais dinheiro sempre foi sinónimo de gastar mais, por isso o sucesso do Orçamento do Estado (“OE”) revisto e revisitado está garantido. Pois assim já não é austeridade. Como a poupança não existe, os portugueses vão poder gastar mais e consumir produtos encarecidos com mais impostos porque vão ter mais rendimentos. E vão poder continuar a fumar e a viajar de carro como antigamente. Como é bom ser livre outra vez.

Afinal existe mesmo uma alternativa à TINA (“There is no alternative”). A alternativa é poupar. A alternativa é cortar nas despesas com tabaco, diminuir o recurso ao crédito, utilizar mais os transportes públicos em detrimento do carro, como ficámos agora a saber. Enfim, gastar menos do que se ganha parece ser o grande contributo e ensinamento deste OE para melhorar a vida dos portugueses.

Economia ao serviço da política começa agora a ser o mote de salvação nacional. A austeridade já lá vai, pois agora qualquer política restritiva será o suficiente para animar a malta. A semântica da política está hoje mais económica e por isso mais eficaz. A comunicação é assim clara e esclarecedora. Afinal os políticos são mesmo nossos amigos.

Tal como qualquer modelo de projeções financeiras e estimativas económicas futuras, a única certeza sobre o OE é que não se vai verificar. Por isso as finanças públicas e privadas são relegadas para segundo ou terceiro plano. O que interessa é comprar tempo e ter confiança num futuro melhor. Com mais intervenção e proteção do Estado, como deve ser.

Nos anos 80 é que era bom… o Governo desvalorizava a moeda, a inflação subia e os aumentos dos salários eram o gáudio do povo. Embora perdessem sempre poder de compra, era uma forma de empobrecerem alegremente. Afinal, estamos de volta aos bons velhos tempos. Na ausência de inflação aumentam-se os impostos sobre o consumo para poder aumentar os salários do povo.

O OE tem muito pouco de economia, pois nem o Excel resiste a tantas erratas… Isto é política pura. À maneira antiga…