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Expresso

Quem quer ser comandante supremo das Forças Armadas?

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Os 40 anos de democracia em Portugal começam finalmente a dar resultado. As eleições legislativas de outubro passado mostraram que afinal a tradição de pluripartidarismo e convenções/práticas políticas já não são o que eram, resumindo-se afinal a democracia adulta à velha luta entre a direita e a esquerda, dos velhos tempos de abril a novembro. Afinal é mais simples do que parecia nessa altura.

As eleições presidenciais deste mês, cuja campanha eleitoral assistimos agora, deverão igualmente ficar na história política de Portugal como sendo o culminar do principal objetivo da revolução, o objetivo de dar o poder ao povo.

A julgar pelo elevado número de candidatos a Presidente da República de Portugal, atingindo o recorde histórico de 10, o povo saiu à rua para se candidatar à Presidência. É o direito de cidadania democrática em todo o seu esplendor.

Alguns candidatos insistem em prometer a defesa de causas próprias através do exercício de um poder de influência que o cargo não dispõe, numa tentativa de diferenciação à força.

Outros resumem a tentadora função de alto magistrado da nação a um mero exercício de arbitragem do cumprimento da Constituição e do jogo da governação dos deputados da Assembleia da República, numa tentativa subliminar de diminuição de expectativas.

Todas as tentativas de todos os candidatos de minimizar ou maximizar as pretensas responsabilidades e capacidades do cargo, visam cumprir o objetivo comum de apresentar a melhor forma de encaixar a Presidência no candidato. E não o contrário.

É bom relembrar por estes dias que o Presidente da República representa a República Portuguesa, garante a independência nacional, a unidade do Estado e a integridade do território, bem como o regular funcionamento das instituições democráticas e é, por inerência, o comandante supremo das Forças Armadas.

É bom relembrar porque tal facto parece ter caído no esquecimento dos candidatos. E para evitar que caia no esquecimento dos eleitores nesta altura de instabilidade da União Europeia e das crescentes necessidades de uma política europeia de segurança. E principalmente porque é uma excelente forma de reduzir drasticamente a extensa lista de putativos candidatos elegíveis.

Basta imaginar cada um dos candidatos no exercício destas nobres funções descritas na Constituição para fazer sorrir algumas vezes o mais sisudo eleitor. No caso das entrevistas televisivas e das reportagens em campanha eleitoral não serem suficientes para animar a malta. Que pena só podermos votar num…