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Expresso

&conomia à 3ª

2015 será melhor que 2014? Acredite se for incapaz!

Por esta altura do ano, repetem-se as análises ao ano que passou e fazem-se votos e formulam-se desejos para o ano que aí vem. Acho esta altura a verdadeira silly season, e não a de férias de Verão.

Mas esta altura é necessariamente de balanço. Por tradição ou necessidade de fazer o cut-off de operações das nossas vidas, num sempre difícil exercício de acréscimos de custos ou tristezas a imputar ao ano que passou e diferimentos de proveitos ou prazeres a imputar ao ano seguinte.

Mas tal como em Economia, cash is king também nas nossas vidas. Profissionais e pessoais. E não me refiro ao facto do dinheiro trazer felicidade.

Cash is king em economia significa que o sucesso de um negócio ou empresa deve-se medir pela geração de fluxos de caixa que produz. Por isso, neste cenário as operações contabilísticas deveriam equivaler aos fluxos financeiros das mesmas. Devemos registar o custo quando existe a despesa do seu pagamento e registar o proveito quando existe a receita do seu recebimento.

Nas nossas vidas significa que devemos registar os momentos de tristeza e de prazer quando eles acontecem, em vez de nos martirizarmos com todos os momentos de infelicidade que tivemos num ano e esquecer os poucos momentos de prazer que também teremos tido nesse ano.

Devemos assim resistir à tentação fácil de diferir ou projectar todos os momentos de prazer para o ano que vem, baseados nos poucos que tivemos no ano que passou e na esperança nunca perdida mas também nunca concretizada que para o ano será melhor.

Esta é a melhor forma de viver infeliz, frustrado e inconformado com as nossas vidas. Profissionais e pessoais.

Na vida tudo é relativo. A nossa felicidade/tristeza, riqueza/pobreza, saúde/doença é sempre relativa porque existe sempre alguém mais feliz, mais triste, mais rico, mais pobre, mais saudável ou mais doente que nós.

Por isso é importante vivermos a nossa vida em vez de tentarmos viver a vida de outros ou querermos ter a vida de outros, como forma de tentar atingir a felicidade. E aprendermos a reconhecer e identificar os momentos de prazer e felicidade das nossas vidas, que não poucas vezes nos passam despercebidos porque não são devidamente valorizados.

Os momentos passados com os amigos e com a família são claros exemplos de desvalorização de momentos felizes. Principalmente os momentos que reúnem pais com filhos adultos, em que a experiência de momento feliz é claramente melhor percebida e mais valorizada pelos pais que pelos filhos. Os filhos dar-lhe-ão o real valor quando já for tarde demais. Mas isso já faz parte da natureza humana.

No dia 23 de Dezembro jantei com os meus 2 melhores amigos de liceu e com as minhas 2 melhores amigas de liceu. Lembrar momentos felizes da nossa juventude faz-nos renascer por dentro e recordar o que é a verdadeira amizade. Principalmente quando os 5 amigos não se encontravam há 10 anos mas parecia que nunca nos tínhamos separado. O jantar anterior de há 10 anos tinha sido igual, pois já não nos víamos há outros tantos anos.

Por tudo isto este ano foi um bom ano. Para muitos. Para mais do que imaginam. Pelo menos porque podia ter sido pior. Bem pior. Mas principalmente porque este ano já ninguém nos tira! Para o ano quem sabe se cá estaremos com o mesmo dinheiro, com emprego, com a mesma saúde, com todos os amigos e família. Com a mesma vida!

Para o ano começamos todos com a contabilidade a zeros. Sem saber se será melhor ou pior. Como sempre. Mas venham este e muitos mais! Bom ano para todos.