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Expresso

Não sejam crianças!

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Os primeiros anos de aprendizagem são determinantes para o sucesso escolar individual e colectivo. Tal como o sucesso escolar é determinante para o sucesso profissional e pessoal, na maior parte das vezes. Do indivíduo e do país.

A educação tem sido das áreas mais politizadas historicamente, servindo para canalizar diferentes ideologias, muitas das vezes de forma alternada, seguindo a própria alternância democrática de 4 em 4 anos.

A escola pública tem estado assim sujeita à visão de cada ministro da tutela e de cada governo, funcionando como tubo de ensaio para experiências do tipo tentativa-erro em vez de garantir um acompanhamento contínuo com o objectivo de monitorar as causas-efeitos de cada alteração política ou técnica.

Ideologias à parte, parece ser geralmente aceite que a melhor, se não a única, forma de monitorização dos resultados das políticas de educação e métodos de ensino é feita através de exames aos alunos, de forma a medir a qualidade do produto final. Dos alunos, das escolas e dos professores.

Só medindo o resultado final é possível introduzir alterações/correções nos inputs do sistema educativo, desde conteúdos programáticos a metodologias de ensino e professores, com vista a melhorar os outputs dos alunos, que na escola primária estão tipicamente relacionadas com a capacidade de leitura e escrita da língua materna e conceitos básicos de matemática.

Tomemos como bom exemplo o Reino Unido, com métodos e estabelecimentos de ensino reconhecidos mundialmente, onde a ideologia há muito tempo deixou de influenciar a educação, sendo por isso menos politizada.

Existem mais de 16.000 escolas primárias públicas no Reino Unido e apenas 7% de crianças britânicas frequentam o ensino pago-privado. No entanto, os alunos do ensino privado pré universitário representam 39% do alunos da universidade de Cambridge e 43% da universidade de Oxford.

Pois os 7% de alunos totais que frequentam o ensino privado representam 35% dos alunos que obtêm melhores notas nos exames de admissão das universidades de topo, como as mencionadas.

Mais preocupante do que a diferença entre ensino privado e ensino público, tão permeável a interpretações ideológicas, é a diferença entre escolas públicas. A estatística revela que mesmo as crianças que têm sucesso na primária, dificilmente desenvolvem o seu potencial na secundária.

Uma criança pobre que seja das melhores da turma na primária possui uma probabilidade 4 vezes inferior do que uma criança não-pobre de ingressar numa universidade de topo no Reino Unido.

Demasiados estudantes das escolas públicas não são ensinados ao nível necessário para obter as elevadas notas de admissão às universidades de topo, conseguindo apenas 2,2% dos jovens de famílias pobres essas notas elevadas.

É por isso mais fácil defender o ensino público face ao privado do que defender o ensino público de si próprio e dos sucessivos governos. Especialmente sem avaliação dos alunos, dos professores e das escolas.