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Expresso

A Frente Nacional queria mesmo ganhar?

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O fenómeno da Frente Nacional em França fez tocar todos os sinais de alarme na Europa, nas eleições regionais de Domingo da semana passada. O partido mais votado em 6 das 13 regiões na primeira volta das eleições, comprovou o real objectivo do singular sistema eleitoral em França.

A segunda volta nas eleições regionais demonstrou ser afinal indispensável para afinar o tiro. Para evitar arrependimentos típicos do dia seguinte. Para desmistificar o voto de protesto, que pode dar mau resultado se todos decidirem protestar sem grande expectativa de responsabilização.

A esquerda “aliou-se” à direita retirando-se da corrida nas regiões onde tinha sido a terceira força política, os abstencionistas mobilizaram-se e fizeram um esforço adicional para irem votar, os que votaram na Frente Nacional por protesto tiveram uma segunda oportunidade para pensar melhor, empurrando a Frente Nacional para terceiro lugar.

Enquanto isto, a extrema-direita fingia que já estava à espera de voltar a ser o partido mais votado, por já ter conseguido essa proeza nas eleições Europeias de 2014, e que por isso não seria estranho passar a governar a quase maioria das regiões de França.

Mas infelizmente o antídoto à vitória da Frente Nacional foi demasiado forte e por isso não poderá governar nenhuma região de França. Este facto vai provar em 2017 ter sido o maior erro cometido pelos partidos tradicionais nestas eleições.

A instabilidade política em França e na Europa será ainda maior no futuro e ainda melhor aproveitada pela extrema-direita no conforto do seu mundo-próprio de protesto, com tarefa facilitada por não ter que assumir responsabilidades no exercício do poder. Qualquer que seja.

Gerir uma região poderia ser um bom tubo de ensaio e servir melhor o propósito de antídoto contra a vitória de Le Pen nas Presidenciais de 2017,expondo até lá o partido de protesto à dura realidade e às respectivas dificuldades de tomar decisões com impacto na vida das pessoas, assumindo as consequências e as responsabilidades que daí advêm.

Ao contrário de Portugal, onde o bipartidarismo da moda é agora esquerda contra direita, em França passará a ser “globalistas” contra “patriotas”, como defende Le Pen. A luta será entre os partidos tradicionais europeístas e abertos ao mundo contra a Frente Nacional eurocéptica e defensora dos interesses exclusivos dos franceses, esgrimindo argumentos sobre segurança, terrorismo e imigração como só a extrema-direita sabe fazer.

Desta forma, Le Pen terá a vida facilitada pois poderá continuar a assumir-se como válvula de escape das frustações dos franceses contra os partidos tradicionais, fortalecendo a sua imagem crítica e de protesto contra a incapacidade da França gerar emprego, investimento e crescimento económico. Pois falar é fácil... e votar também, como se viu na primeira volta...