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Expresso

Mas afinal o PS é de esquerda?

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A primeira reunião do PS foi com o PCP e “correu bem” tendo sido “muito produtiva”, dando origem a “um trabalho técnico” entre os dois partidos para explorar os “pontos de convergência importantes”.

A segunda reunião do PS foi com o PSD/CDS e foi “um vazio absoluto”, “altamente inconclusivo”, de tal forma que não foi possível originar um “trabalho técnico” conjunto. Nem podia ser de outra forma porque o PS tinha que esperar pela reunião com o BE para pressionar a coligação e fingir que iria decidir em conformidade.

A terceira reunião do PS foi com o BE e foi “muito interessante, onde identificaram de modo positivo um conjunto de matérias passíveis de convergência” e deu novamente origem a “um trabalho técnico” entre os dois partidos. A reunião com o BE tinha sido adiada depois do PCP jurar fidelidade ao PS e tomar o lugar do BE no altar. Por isso o BE teve que se fazer díficil e adiar a reuniao com o PS para depois da reunião deste com o PSD/CDS. Para ver se o PS ainda esperava por si com ardente desejo...

A reunião do PS com o PAN também foi “muito interessante”, pois devem ter conseguido negociar um acordo após 40 minutos de negociações, em que o PS aceita não fazer mal à natureza em geral, e aos animais em particular.

O PS é afinal de esquerda. Quem não sabia e quem não acreditava pode agora ter a certeza. Absoluta!

Este é o primeiro ajuste de contas de Costa. Por conta da campanha eleitoral e das maldades que o PCP e o BE lhe fizeram.

O segundo ajuste de contas vai ser com Cavaco. A falta de respeito de Cavaco ao atribuir a responsabilidade de formar governo ao partido mais votado nas eleições tem que ser vingada. Para bem da democracia de esquerda. Costa vai mostrar a Cavaco quem manda afinal na formação do governo.

O terceiro ajuste de contas será com a coligação de direita. Costa fará com o PSD/CDS em lume forte o que o PCP e o BE querem fazer com o PS em lume brando. Não jurará fidelidade eterna mas prometerá manter as aparências de um casamento feliz, para defesa e no interesse maior dos seus filhos comuns. Os portugueses. Pelo menos até os filhos estarem prontos para sair de casa e votarem.

Costa vai provar ao PS e aos portugueses que ser segundo classificado não é ser o maior perdedor. Desta vez é que é! Vai ser o maior vencedor. Afinal sempre soube que ia ganhar... e por isso todos os portugueses vão finalmente perceber que o PS afinal é de esquerda. E que a esquerda é o PS.

E que por isso sem PS não há governo de esquerda nem estabilidade. As armas de convergência maciça à esquerda, confiscadas nestas reuniões de negociação tão amigáveis quanto construtivas com PCP e BE, serão utilizadas para implodir a esquerda de protesto, através da viabilização pelo PS dos pontos de convergência da esquerda. Num governo de centro direita, de acordo com a vontade da “esmagadora maioria dos portugueses”.

Para ver se da próxima vez a esquerda aprende a lição e vota no PS. Que pode ser já no próximo ano...