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Expresso

O milagre da criação de emprego

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Todos os governos prometem mais emprego mas poucos conseguem cumprir a promessa. Infelizmente, tudo parece indicar que deverá continuar assim. No entanto, qualquer forma de compromisso sobre a criação de emprego como elemento central da política económica e social de qualquer Governo é positivo e bem-vindo.

A flexibilidade do mercado laboral, as políticas económicas e fiscais que incentivem o investimento e a estabilidade política e fiscal são lugares-comuns que todos os governos usam e abusam indiscriminadamente e, por isso, com grande divergência de resultados.

O principal objectivo dos governos no aumento do emprego é claro. Aumentar o número de empregados do sector privado significa mais pagadores de impostos e menores encargos com prestações sociais. Só depois vem o crescimento do PIB, com o aumento da produção e do consumo.

Aumento da receita e diminuição da despesa é o sonho de qualquer político. Outra coisa bem diferente é consegui-lo da melhor maneira, aumentando o emprego.

O Reino Unido criou dois milhões de empregos desde 2010, registando actualmente uma taxa de desemprego de 5,6%, muito próxima da taxa de desemprego de equilíbrio estimada pelo Banco de Inglaterra em 5,1%.

Abaixo deste valor da taxa de desemprego, a falta de empregados especializados originará pressões inflacionistas nos respectivos salários, o que já se começa a verificar nalgumas profissões como enfermeiros, professores de matemática, cozinheiros, carpinteiros, electricistas, trabalhadores da construção civil.

A emigração é a válvula de escape para estas pressões inflacionistas, como bem sabem os enfermeiros portugueses emigrados no Reino Unido.

A austeridade no Reino Unido, com fortes cortes na despesa pública através da diminuição das prestações sociais, não levou ao desemprego em massa nem enfraqueceu a economia como era temido.

A oposição previa em 2011 que a austeridade cortasse 500 mil empregos na função pública e um milhão no sector privado. A previsão só acertou na função pública...

O Governo tinha prometido criar um milhão de empregos em cinco anos, mas enganou-se também nas previsões...

A criação de emprego no Reino Unido foi de tal forma surpreendente que recentemente até Obama terá dito a Cameron que alguma coisa bem este deve estar a fazer...

Quem não acredita em milagres, atribui boa parte da explicação à redução de impostos sobre os rendimentos inferiores, de forma a tornar esses empregos mais interessantes para quem quer, e pode, deixar de viver das prestações sociais. Especialmente se o acesso a essas prestações for dificultado e se as mesmas forem reduzidas significativamente, como aconteceu no Reino Unido.

Os empregados com salário mínimo viram assim o seu rendimento disponível crescer cerca de 20% em cinco anos, o dobro do crescimento do salário médio, tornando os baixos salários mais atractivos através da redução de impostos.

No mesmo sentido, a reducao de 28% para 20% do imposto sobre os lucros das empresas em 5 anos, terá ajudado as empresas a aumentar o recrutamento.

Não será necessário referir as diferenças entre Portugal e o Reino Unido a quase todos os níveis, mas certamente que os agentes económicos e respectivos comportamentos são mais comparáveis do que as políticas prosseguidas.

Será que os governos conseguem mesmo criar emprego?