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Expresso

Vá lá, candidate-se!

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A democracia está bem e recomenda-se. Nada como uma boa crise financeira internacional para abanar as sociedades actuais e os seus frágeis alicerces. Os costumes, os valores, as políticas e até mesmo os políticos.

Tal como geralmente acontece a alguém que descobre uma doença menor e teme o pior, quaisquer melhoras são encaradas como uma nova oportunidade. Oportunidade para fazer o que nunca foi feito, finalmente praticar o bem, partilhar e ajudar os outros. O famoso: agora é que é!

Tudo à nossa volta parece estar a ruir. A União Económica é cada vez menos Monetária, a União Europeia (UE) a 27 contínua a encolher e já vai em 6 ou 7, a França finge que manda na UE, a Alemanha finge que não manda na França, a Grécia finge que vai cumprir o acordo e Portugal já não precisa de fingimentos.

Pois Portugal ou está óptimo ou vai já ficar magnífico

Num país onde não existe extrema-direita, os partidos de centro-direita não perdem muito tempo com grandes divagações estratégicas, análises de eleitorado por faixa etária ou sectorial, sondagens sobre receptividade de políticas ou de políticos. Convencidos que tudo está óptimo assim, apenas aguardam pela discreta maioria silenciosa que nem sempre aparece.

Num país onde qualquer eleitor, simpatizante, apoiante ou admirador de esquerda é um potencial político, os partidos de esquerda proliferam e multiplicam-se ao sabor das inúmeras variantes de pensamento. Tantos como os pseudolíderes que descobrem sempre mais um nicho do mercado da esquerda, suficientemente grande para encaixarem os seus egos.

A dispersão da esquerda em Portugal tem favorecido o centro-esquerda no passado, e deverá continuar a favorecer no futuro. A incapacidade dos partidos de esquerda e dos seus líderes para promoverem e aceitarem consensos está bem patente no número de dissidentes que geram. E qualquer dissidente que se preze, funda o seu próprio partido.

O centro-esquerda considera que poderá vir a governar melhor que o centro-direita. Não só por considerar ter melhores políticos mas também porque considera ter mais e melhores técnicos. Mais e melhores independentes. Mais e melhores estudos. Mais e melhores ideais, porque são de esquerda. Mais e melhores apoios na Europa de Hollande e de Tsipras. Com tudo isto, será fácil tornar Portugal num país magnífico. Basta vencer as eleições.

Os acontecimentos políticos recentes na Europa e na Grécia fazem o comum dos mortais eleitores sentir-se o melhor negociador da Europa e o melhor candidato a político de qualquer país europeu. Até de Portugal.

Dos candidatos a deputados aos candidatos a Presidente da República, Portugal fervilha assim em democracia participativa. De 4 em 4 anos, as eleições são o que restam da democracia participativa e agora que está na moda, é de aproveitar.

Vá lá, candidate-se!