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Expresso

Grécia: Fiado só amanhã?

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A Grécia está quase a conseguir cumprir um dos seus principais objectivos, pelo menos. Já ninguém aguenta ouvir falar da Grécia e das suas expectactivas semanais sobre obter um acordo na próxima semana. Faz lembrar aqueles cartazes nos cafés portugueses que optimisticamente anunciam que: “Fiado só amanhã!”.

Vencer pelo cansaço parece ser a estratégia actual dos gregos para obterem um acordo. A paciência do FMI já se esgotou, porque o valor a receber também já diminuiu bastante. O Presidente da Comissão Europeia continua a dançar com os gregos, como político que é, mas o BCE está prestes a desligar a música.  

Para os gregos, obter um acordo significa os credores aceitarem as suas condições, sem terem que fazer cedências. 

Os portugueses bem percebem que é muito desagradável reduzir pensões e aumentar impostos na Grécia. Somos todos solidários com os problemas dos gregos. Mas infelizmente também temos os nossos problemas.

O que os portugueses não entendem, nem os restantes europeus, é que tenham que ser eles a reduzir as suas pensões ou a aumentar os seus impostos para financiar maiores pensões e menores impostos na Grécia. Isso é que é chato...

Já deve faltar pouco tempo para o BCE reunir a maioria de dois terços para decidir o fim da linha de assistência especial de liquidez (“ELA”) aos bancos gregos, através do financiamento do Banco da Grécia.

O aumento da probabilidade de incumprimento da Grécia no pagamento ao FMI e ao BCE, derivado da incapacidade da Grécia chegar a acordo com os credores, não deixa alternativa ao BCE.

Os governos europeus consideram o BCE um credor mais importante que o FMI, por ser o último garante do sistema financeiro de qualquer país europeu.

Vale a pena recordar que foi a ameaça de retirada da ELA pelo BCE que forçou a Irlanda em 2010 e o Chipre em 2013 a aceitarem a oferta de “pegar-ou-largar” para a assistência financeira da Troika.

O cansaço dos europeus em relação às pressões e chantagens dos gregos faz aproximar a Grécia do incumprimento a passos largos. Os gregos pensam que não têm já nada a perder e ameaçam com o fim da UE, provocado pela Grexit.

A sua confiança é tal que comparam a probabilidade da Grexit à probabilidade da Terra ser atingida por um cometa. Um pouco optimista talvez, mas afinal a astrologia deve ser o forte do governo grego.

A paciencia para a Grécia está a acabar, bem como o dinheiro para os gregos. Ao entrarem em incumprimento e em bancarrota, seremos nós, restantes europeus pagadores de impostos, a pagar as suas contas. Dos pobres gregos e dos gregos ricos, que não são poucos.