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Expresso

Grexit, Brexit ou Merkexit?

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A Europa está ao rubro. A Grécia puxa para um lado e o Reino Unido puxa para o outro. No meio está a Alemanha a tentar segurar as pontas. Tudo isto a acontecer no turno da vigilante Angela Merkel.

A tragédia grega parece inevitável, após tanto tempo perdido em conversas de surdos. Afinal o espectáculo de pirotécnia do Syriza não impressionou os restantes países europeus seus credores, e muito menos o FMI.

A Grexit já não mete medo à Europa como no passado, apesar de ninguém saber bem o que vai acontecer à Grécia e à Europa. Todos esperamos o melhor mas devemos estar preparados para o pior. E os gregos também.

Actualmente a Grécia está presa à Europa pela sua importância geo-estratégica.

A localização da Grécia é determinante para a Europa e para os EUA, que já não são os polícias do mundo mas ainda são os guarda-costas da Europa. A ameaça do Próximo e do Médio Oriente reforça a importância da Grécia como zona tampão da Europa.

Por outro lado, o Reino Unido fez a semana passada a sua primeira operação de charme junto dos principais líderes europeus. Durante dois dias tentou ganhar apoio para a mudança da UE, em antecipação ao referendo prometido nas eleições do mês passado.

Negociar e obter melhores condições para o Reino Unido é a única forma de tornar o referendo à permanência na UE num concurso de beleza, só para inglês ver.

A necessidade de diminuir o número de imigrantes e, mais importante ainda, diminuir os apoios sociais aos imigrantes é um dos pontos chave para o Reino Unido continuar na UE.

Esta é uma matéria defendida pelos nacionalistas britânicos do UKIP que elegeram apenas um deputado mas que tiverem 13% dos votos, bem como de muitos Conservadores que prometeram isso mesmo ao seu eleitorado e que por isso vão ter que cumprir, por mais estranho que possa parecer aos portugueses...

A visita à Polónia tinha que ser incluída nesta primeira operação de charme, pois o Reino Unido é a casa de 700.000 trabalhadores polacos, na sua maioria trabalhadores especializados.

A Primeira-Ministra Polaca demonstrou abertura e disponibilidade para discutir os apoios sociais aos imigrantes, desde que o Reino Unido se mantenha na UE e fomente a livre circulação de pessoas.

Apesar das ameaças do Reino Unido, acabar com a livre circulação é apenas mais um elemento negocial, para ser usado como moeda de troca para a diminuição dos apoios sociais aos imigrantes.   

Depois do apoio condicionado de Varsóvia, Merkel mostrou em Berlim tamanha simpatia e abertura para encaixar as exigências do Reino Unido que chocou a maioria dos comentadores. Mas a verdade é que apesar de acharem que Cameron está demasiado confiante para o seu gosto, poucos alemães querem ver o Reino Unido fora da UE.

Cameron irá continuar com as operações de charme até ao Conselho Europeu de 25-26 Junho, falando com todos os líderes dos restantes 27 membros da UE, de forma a garantir um bom resultado para o Reino Unido que possa vender internamente aos eurocépticos britânicos.

A importância do Reino Unido e da sua economia, que tanto alimenta as exportações alemãs, faz com que a Brexit seja bem pior para a Alemanha do que a Grexit.

E por isso Merkel tudo fará para que o Reino Unido não saia da UE durante o seu turno de vigilante. Porque senão arrisca uma Merkexit...