Siga-nos

Perfil

Expresso

Referendos para todos os gostos?

  • 333

Os referendos estão novamente na moda. Toda a gente quer um. De preferência só seu. Ou a seu gosto. Da Grécia ao Reino Unido, o referendo é usado ou instrumentalizado para suportar eleições ou mobilizar/ganhar eleitores para futuras eleições.

O referendo à independência da Escócia foi uma promessa eleitoral do anterior líder do Partido Nacional Escocês (SNP) e Primeiro Ministro da Escócia. Esse referendo decidiu a continuação da integração da Escócia no Reino Unido por mais algum tempo.

O “Não” à sua independência venceu mas não convenceu os políticos independentistas do SNP. Principalmente depois dos resultados das eleições legislativas de 7 de Maio, tendo elegido 56 dos 59 deputados eleitos pela Escócia, contando com a preciosa ajuda dos eleitores do Partido Trabalhista.

Uma parte significativa dos votos captados pelo SNP veio dos apoiantes do “Sim” no referendo à independência. E muitos que votaram “Não” por receio das consequências, votaram desta vez nos nacionalistas/independentistas porque a relação causa/efeito não era agora tão óbvia, como se vê pelo actual comportamento e pose de estado da sua carismática líder no parlamento.

O Partido Conservador prometeu nestas eleições legislativas que faria um referendo à saída do Reino Unido da União Europeia em 2017 e irá ter que cumprir. As feridas provocadas pelo referendo à independência da Escócia ainda não estão saradas e não irão sarar nos próximos 2 anos de campanha pró e contra a Brexit. Serão talvez os 2 piores anos do Reino Unido do período pós-guerra.

Este referendo será muito mais importante e mobilizador que o referendo de 1975 sobre a continuidade do Reino Unido na Comunidade Económica Europeia, na qual tinha entrado 2 anos antes. Ensombrará qualquer outro referendo sobre adesões a Tratados europeus ou à moeda única europeia.

As exigências dos líderes políticos, empresariais e de opinião são tantas e tão importantes que apenas uma renegociação de largo espectro e que altere substancialmente a condição do Reino Unido na EU pode resolver. E muitos deputados do Partido Conservador foram eleitos com base em promessas de oposição à União Europeia e às suas políticas.

O Partido nacionalista e anti-Europa UKIP registou 13% dos votos a nível nacional, o que não pode ser ignorado pelo governo maioritário de David Cameron. Apesar de só terem elegido 1 deputado, devido às características muito especiais do sistema eleitoral do Reino Unido, farão ouvir as suas ideias e pressionarão a saída da Europa.

Muitos apoiantes da União Europeia no Reino Unido acreditam que os britânicos nunca votarão a saída da Europa, com base em sondagens que apontam um empate entre o Sim e o Não. Mas como vimos nas eleições legislativas, as sondagens já não são o que eram…