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Expresso

Orgulho e preconceito britânico?

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Costuma dizer-se que o povo não tem memória. Principalmente no que diz respeito a eleições e a políticos. Mas as eleições legislativas no Reino Unido do passado 7 de Maio provaram o contrário.

A maioria absoluta do Partido Conservador ainda está a ser digerida pelos adversários, pelos vencedores e pelos centros de sondagens. Surpresa e choque estão na ordem do dia e serviram para abanar os alicerces de uma das mais antigas democracias do mundo.

Ninguém estava à espera de tal desfecho. O fantasma da austeridade assombra a Europa e entra em casa de quase toda a gente diariamente. Quer seja através da televisão e dos jornais, quer seja através do ordenado ou da falta do mesmo.

Os partidos da oposição, especialmente os Trabalhistas, cavalgam contra a austeridade, em legítima defesa dos fracos e dos oprimidos. A sua fraca memória e os seus fortes preconceitos de esquerda fazem com que defendam apenas os pobres e que odiem os ricos.

Esquecem-se da classe média que teima em decidir eleições. Esquecem-se também que os pobres querem ser ricos e que os ricos não querem ser pobres. E que a classe média quer ser rica e fará tudo para não empobrecer. E que todos procuram uma vida melhor, através do seu esforço e do seu trabalho. E que não há mal nenhum nisso!

Como a protecção dos pobres não é exclusiva do Partido Trabalhista, a sua viragem histórica à esquerda nas eleições do Reino Unido saíu bastante cara a Ed Miliband, seu ex-líder.

Tony Blair, histórico ex-líder do Partido Trabalhista e único a vencer 3 eleições seguidas, já veio dizer isto mesmo, mostrando quão visionário foi e continua a ser ao identificar o centro esquerda-direita como determinante na vitória das eleições.

Ao contrário do que era esperado, o povo britânico não castigou o governo de direita, liderado pelo Partido Conservador. Pelo contrário, aumentou ligeiramente em cerca de 1% o número de votos a nível nacional.

Mas desta vez o Partido Conservador contou com a ajuda do Partido Nacional Escocês (PNE), à esquerda dos Trabalhistas, que foi decisivo para a sua maioria absoluta. Quase todos os deputados do Partido Trabalhista eleitos pela Escócia foram substituidos por deputados eleitos pelo PNE local.

O sucesso do PNE foi também o sucesso do Partido Conservador, e o insucesso do Partido Trabalhista. Embora este efeito não seja linear devido ao sistema eleitoral britânico, foi decisivo para o resultado final. Sendo apenas o 5º partido mais votado, o PNE é a 3ª maior força política com 56 deputados.

O mesmo sistema eleitoral penalizou fortemente o partido nacionalista UKIP que apenas elegeu 1 deputado mas que foi o 3º partido mais votado, representando um acréscimo de cerca de 10% no número de votos face a 2010 e mais votos totais que PNE e Liberais Democratas juntos, que elegeram 64 deputados.

As sondagens ajudaram a mobilizar os eleitores de direita, sempre menos interventivos e diligentes, no sentido de evitar um impasse e novas eleições ainda este ano.

Os britânicos estão orgulhosos da sua economia e dos efeitos da recuperação económica nas suas vidas. É pena nem todos os países europeus poderem sentir o mesmo.