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Expresso

Lei das grandes broncas

Uma má experiência raramente vem só, como o país e, em particular, o Governo podem comprovar. Sim, toda a gente tem assinalado: fogos, armas, e agora o abalo dos Secretários de Estado. Quem conhece algo de estatística e da teoria das probabilidades já terá ouvido falar da “lei dos grandes números”: quando há um elevado de observações começa a revelar-se o verdadeiro valor das grandezas que estão em causa. Então, já se vê algum sentido nesta recente amostra de broncas ou ainda é cedo?!

1. FOGOS: Os fogos que assolam o país NÃO pode ser simplesmente considerados factos da “mãe natureza” (gente de responsabilidade disse isso sobre Pedrógão). Não… a natureza nada tem que ver com, por exemplo, a falta de bio-diversidade da floresta portuguesa. Mais que um facto a monocultura do eucalipto é um artefacto (o impagável Dr. e Eng. Mira Amaral chamou-lhe visionariamente o “petróleo verde”, muito presciente sem dúvida!). Mas também se percebeu uma outra coisa: há por ali uma muito má contada história de “Parcerias público-privadas” … quantos SIRESPs não têm sido catástrofes à espera de se revelarem? Está na hora, ou não, de se proceder a uma varrição do mato das florestas e do mato das PPPs? Um exame forense tem de ser feito às PPPs, com consequências. Se o PS não arranjar já coragem para isso com este aparato da Geringonça então se estiver sozinho quando vai ser?!

2. TANCOS: Ora aqui está uma bela casca de banana para ambas as extremidades do semi-círculo parlamentar. À direita temos o CDS (que esteve a banhos quando o BES explodia!) que critica o Primeiro-Ministro por ter sido apanhado de férias. É de lhes perguntar: dizem que o Estado colapsou mas onde ficou tal prometida “reforma do Estado”? E as contas de “sumir” dos submarinos? E o fantástico caso das coxas Pandur? E se estes zelotas queriam a cabeça do Ministro da Defesa porque não levaram a exigência às últimas consequências e exigiram também a demissão do Comandante Supremo das Forças Armadas?! E já agora do próprio Secretário Geral da NATO?! … Mas na esquerda também se pôde observar uma bela patinagem artística. O argumento de que Portugal já gasta acima da média em termos de aparelho de defesa é certo … muito certo, mas não se nota. Com um exíguo território há poucas economias de escala nas actividades militares. E não são todos os países que têm a plataforma marítima que este tem: e isso paga-se. E afinal o que é isso de gastos em defesa no PIB? … o rácio é elevado porque o numerador (despesa em defesa) é grande ou porque o denominador (riqueza nacional) é pequeno?! E, já agora, como a estrutura da despesa colectiva em serviços de defesa tem uma desproporcionada componente de custos de pessoal a implicação é …. despedir a tropa?! As contas da defesa não são fáceis, e poucos se têm esforçado por as tornar mais transparentes e comparáveis (quem estiver interessado pode consultar este ainda raro exercício). Por isso tem razão o General Carlos Branco quando toma a iniciativa de detonar esta bomba de fragmentação: o caso do furto do material de guerra atirou estilhaços que causaram danos a muitos sectores da sociedade …. militares (afinal se eles é que ainda mandam nos quarteis), responsáveis políticos, comentadores, etc.

3. GALP: Eis um caso absolutamente lamentável… até pelas perguntas até agora não feitas…. Por exemplo: a) já se demitiu alguém da Galp??? … ou isso é privilégio dos políticos? … b) já se percebeu, ou não, que a associação do futebol à política é absolutamente tóxica?! … c) e quem é que afinal anda a tirar partido desta a imensa maionese da sociedade de espectáculo, de circo, e de todas estas armas de distracção massiva que cada vez extraem mais dinheiro à sociedade?!