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Expresso

O futuro já não é obsoleto

1. Amêndoas da época

Por vezes o presente não percebe nada do que os políticos andaram a dizer no passado recente. Neste caso nem a Páscoa salva o Coelho. Esse tal ex-Primeiro Ministro viciado em orçamentos rectificiativos sempre acima das metas do Memorando da Troika vaticinou: o défice de 2016 seria de 3,4% sem medidas extraordinárias. Mesmo sem ser uma milagre de Fátima eis que o Conselho de Finanças Públicas aparece a dizer o seguinte: o défice foi de 2,5% sem efeitos extraordinários. Pior só mesmo Cristas, a muy séria herdeira de Paulo-Mota-Engil-Portas e camarada-de-armas de Paulo-10milMilhõesDeEurosFugidosParaOffShores-Núncio. Disse que: “nós fizemos a conta", "o orçamento era irrealista", o défice real é de 3,7%. E eis que o INE aparece a dizer que houve erro sim: mas o verdadeiro défice é afinal ainda mais baixo do que se julgava, 2,0%.

Portanto, é oficial: a traquitana PSD-CDS, cujo consolado representou a maior quebra acumulada do PIB desde a década de 1940, está de falida de previsões e de ideias.

É muita amêndoa para uma Páscoa só.

2. Trump como novo “player” global

Enquanto isso, o resto do mundo também continua a ter problemas com a verdade. Por exemplo, em menos de 100 dias a era Trump já não se fica só pela América. Agora o Presidente daqueles Estados “Unidos” diz que a NATO já não é obsoleta. Com os mísseis disparados contra uma base da Síria fala-se de uma viragem na postura de Trump e dos EUA. Mas onde está a viragem quando o principal jogador do “reality show” roda perpetuamente sobre si mesmo?!

Novidade das novidades: quando estava apertado por descrédito interno eis mais um Presidente a resolver o problema fora. Nada como uma investida militar para aumentar a popularidade patriótica e alimentar o complexo industrial-militar, ao mesmo tempo que dá ares de medir forças com os sempre úteis russos. Quantas vezes as grandes potências se entendem tão bem gerando pressão externa em teatros-de-operações fantoche, sempre com ganhos mútuos? Que interessa o pretexto? E que interessam as populações? Agora avanço eu, depois fazes-me tu outra do género.

Trump é um especialista em economia de casino, e estende esse modelo de negócio à condução das relações internacionais. Por exemplo: que tal deixar de chamar “manipulador cambial” à China ao mesmo tempo que se envia uma armada chegar-se perto da Coreia do Norte, sim, ali mesmo já quase nas barbas do Império do Meio? Tudo ao mesmo tempo que se disparam os mísseis para a Síria quando o Presidente Chinês está em visita oficial. Fazer bluff e segurar as cartas ao mesmo. Ter iniciativa, comandar as tempísticas.

Trump sabe que prospera nas escaladas de conflito. Age por entre o nevoeiro da contradição e da distracção. Os outros que tenham cuidado com a roleta.

3. Esse Cabo Verde

A visita do Presidente da República de Portugal a Cabo Verde é uma boa notícia. E não podia ter começado melhor: com uma condecoração de Tito Paris. Como já tinha indicado o próprio governo, noutro gesto feito com particular cuidado, este é um país e um povo muito importante para Portugal e suas gentes.

E esse cuidado com Cabo Verde não pode ser só oficial. Deve materializar-se em iniciativas verdadeiramente exemplares, baseadas em valores como o conhecimento e a promoção dasustentabilidade. Dois exemplos: - a oportuna operação de uma Escola Portuguesa em Cabo Verde; - a implantação de novas iniciativas empresariais como a “Explore Cabo Verde”, projecto turístico de base sustentada que engloba vertentes culturais, agro-artesanais (produtos locais, doces caseiros, ….), de descoberta da natureza e actividades ligadas às serras e ao mar.