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Expresso

Lista de lavandaria sobre economia à portuguesa

Dizia Umberto Eco que as listagens são a chave do sentido das coisas (a citação é bem lembrada aqui neste blog de economia). As listas dão ordem ao caos, enumeram casos. Eis uma lista possível:

1. Planeadores fiscais lavam mais branco: Muito curiosa a notícia dos 10 mil milhões de “aéreos” que ganharam asas durante o consolado de Paulo Núncio, pródigo secretário dos assuntos fiscais da maquineta CDS-PSD e amanuense-em-chefe da importação de Audis e prometedor-mor da devolução de sobretaxas dos amanhãs que encantam. Este perito de direito fiscal saiu de uma especializada sociedade de advogados para ir para um governo pró-Troika e depois para lá voltou à casa de partida, onde foi encontrar Lobo Xavier. Tudo normal, com um certo estilo e tal. Mas eis que durante esses anos de governo o respeitável jurista nunca respeitou a lei que obrigava à transparência de dados sobre paraísos fiscais.

Daí uma pergunta-corolário: Não é que um inocente e servil pagador de impostos se arrisca a pensar que em Portugal se confunde uma Secretaria de Estado dos “assuntos fiscais” ou com a das “lavagens fiscais”?

2. O Lobo ainda não despiu nenhuma das peles: Ficámos a saber que Lobo Xavier, o ainda Conselheiro em Belém (quê, ainda não foi dispensado?!) fez “Insider trading” com os SMS do seu amigão António Domingues. Como bem notou João Quadros no Jornal de Negócios, Lobo enquanto Administrador do BPI andou a bisbilhotar SMS relevantes de alguém implicado na alta Administração da CGD, que por acaso também havia sido seu ex-colega do BPI. Claro, tudo isto é demasiado confuso …. Os Lobos dos tempos modernos têm várias peles, variadíssimos papéis, variadérrimos interesses, sei lá. Mas, atenção! Sim, ainda pode haver uma saída airosa deste conto: já que gosta tanto de telecomunicações não poderia já agora também Xavier divulgar os SMS do seu companheiro do CDS e colega fiscalista Paulo Núncio.

Daí uma ansiedade-teorema: Se esta nova divulgação de SMS não for feita não estaremos nós perante um estranho caso de “coleguismo fiscal”?

3. Nem o ministro cai nem a oposição almoça: O demiurgo dominical tinha decretado a queda do Ministro da Economia Caldeira Cabral lá para Novembro último e ainda não aconteceu nada. O mesmo supremo sacerdote das fontes imperscrutáveis também decretou lá do cimo do seu dominical templo Delfi que a morte política do Ministro das Finanças Centeno tinha acontecido. Mas, e então? O que se passa com a falta de eficácia de Marques Mendes?! É que afinal eles “andem aí”! Eles vivem, e não são zombies! O Ministro da Economia apresenta uma nova política de inovação produtiva esta quinta-feira (acaba de ser anunciada aqui) e o Ministro das Finanças obriga o FMI a render-se aos seus cenários macro-económicos (ver este cuidadoso artigo do Expresso).

Daí uma perplexidade-mitológica: Não deveria Marques Mendes ser despedido por justa-causa e, depois de tantos maus-olhados mal-acertados, não deveria o próprio Zeus perguntar-lhe … ó Marques, Mentes?

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NOTA: Faleceu Kenneth Arrow, um dos maiores economistas do Século XX. Aqui uma das suas últimas entrevistas. Aqui o obituário do New York Times. O calibre intelectual e o perfil humano deixam saudades.