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O Banco e a banca (sim, outra vez)

Aproveito o título da &conomia à 4ª para voltar à questão da finança e da sua (des)regulação aqui nesta (por vezes irregular, devido a compromissos fora do país) &conomia à 5ª.

Carlos Costa aparece à tona das ondas mediáticas e valerá a pena perceber se há ou não sentido na mensagem que foi enviada e naquela outra que acabou por ser retida, ou filtrada, pela comunicação social. No “Forum Banca” o Governador apresentou alguns dados e considerações que se podem ver aqui em primeira mão. Embora isso não tenha enfatizado, os números que o staff do Banco de Portugal preparou para o Governador mostram (entre outras coisas) algo é um desanuviamento financeiro para a economia portuguesa.

A tendência para o desendividamento dos particulares e das empresas, que mal ou bem se impôs com clareza entre 2012 e 2014, mostrou uma travagem abrupta em 2015. O ano 2016 apenas marginalmente fez cair o endividamento privado em percentagem do PIB. Mas isto ocorreu precisamente quando a) houve sinais de crescimento real do PIB em 2015 e 2016 e 2) cresceu em termos relativos a subcategoria de outros créditos resultantes de direitos sobre diferenças no tempo de operações financeiras.

Ou seja, mais uma vez em termos dinâmicos e estruturais estão a acontecer coisas que, aparentemente, não estão a ser sinalizadas. A mexer-se por baixo dos agregados há evidência de um relançamento do processo de re-endividamento mas também de uma série de mudanças mais complexas nos novos tipos de créditos.

No meio de tudo isto agora o Governador resolve simplesmente atirar que a culpa do passado é do comportamento dos gestores bancários, esses “pirómanos” e “ignorantes”. Mas, enquanto o auto-denominado Regulador Bombeiro está contente consigo próprio, eis que o mato se amonta, eis que o combustível se avoluma à espera de uma oportuna faísca para quando o tempo voltar a ficar quente.

No final do seu “power point” Carlos Costa dá sugestões ao sector. Numa linguagem cifrada está lá: a banca, que tem estado a cortar custos desde antes o início desta década, deve continuar a fazê-lo. Fechar balcões, alienar imobiliário, contrair salários, libertar-se de pessoas. E perante a óbvia deterioração da qualidade dos serviços ao consumir que isso também implica que devem então fazer os bancos: “inovar”! Mas não isso é algo que os bancos têm incessantemente conseguido fazer bem, por exemplo, inventando comissões e criativas formas de crédito pessoal?

Infelizmente o Governador parece sempre estar mais preocupado com a sua reputação (palavra muito presente na sua apresentação) do que com as implicações desta reconfigurada banca para a economia e sociedade portuguesas. Versões dos acontecimentos contrárias à oficial são “ofensas” e “diabolizações”, palavras estranhamente pouco engravatadas e engomadas para um regulador.

Se a monumental falha da banca foi sistémica em Portugal isso foi certamente trabalho de equipa. No entanto, há quem queira deixar o crédito por mãos alheias.

NOVIDADES EDITORIAIS

1. Em boa hora a editora Colibri decidiu ter a coragem para editar o livro “A Guerra nos Balcãs”. O lançamento é esta 5f dia 24 às 18h00 no Palácio da Independência em Lisboa, e o Expresso já se referiu ao autorizado e vasto conhecimento de campo que tem o autor. O General Carlos Branco é um militar do pós-25 de Abril e dos ambientes “pós-modernos”. Tem publicado vários livros e é hoje investigador na Universidade Autónoma de Lisboa. A sua experiência em cenários de crise, em operações de paz e em contextos multinacionais carregados de correntes religiosas e de interesses geoeconómicos merece toda a atenção. Ainda há quem queira desmantelar a desinformação e combater o contra-conhecimento.

2. O Instituto de Defesa Nacional insiste em fazer serviço público. Durante 2014 e 2015 com o ímpeto do General Vítor Viana e sua equipa foi capaz de reunir várias dezenas de protagonistas e analistas, muito diferentes entre si, num ciclo de mesas redondas intitulado ‘Ter Estado’. O resultado, equilibrada e útil reflexão sobre o futuro e o país, é agora publicado sob a forma de livro “Políticas Públicas e o Papel do Estado no Século XXI”.

3. Notável também, agora do ponto de vista instrumental e técnico, é outro livro que acaba de ser lançado: “Estatística: muitas aplicações em Excel e poucas fórmulas”. Este é um rigoroso e excelente recurso ao nível pedagógico e profissional por parte de um celebrado Professor de econometria do ISCTE, José Dias Curto. Este é um manual poderoso e prático para refrescar e refinar técnicas de análise, em que o autor mostra como dar o máximo uso a ferramentas à disposição da maioria dos utilizadores como o Excel. Uma edição de autor, uma solução inovadora nesta classe de livros-texto, que se pode encontrar aqui.