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Expresso

Alegre casinha

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Mais uma semana adentro de um verão quente, de esplendores e de humores. É melhor colocar os óculos escuros, pois é demasiada claridade … mas também, por vezes, demasiado vento.

Toda a gente fora do “Euro”, exceto Portugal

O treinador da Alemanha, Joachim Low, que perdeu contra a França, afirmou que embora a equipa gaulesa não fosse má de todo a Alemanha era a “melhor equipa”. E disse que se a França ganhasse contra Portugal tal seria merecido. “Penso que a França vai ganhar – Portugal não me convenceu até agora.”

Conclusão: Ainda há quem pense que o acesso aos momentos felizes na Europa é um direito monopolista ou (no máximo dos máximos!) duopolista…

Castigo sem crime

Entretanto, no outro Euro, o “mister” financeiro da Europa também não está convencido por Portugal. Schäuble está mesmo descontente. É que o país que ele tinha treinado de acordo com o seu modelo de jogo falhou os resultados. Foi assim que Portugal chegou ao final de 2015 com duas míseras décimas (excluindo a debacle Banif) acima do que deveria ser o seu défice orçamental. Curiosamente, tinha Portugal falhado até aí e nunca lhe tinham apitado. Mas só agora é que alguém nessa Europa se lembrou que era tempo de aplicar o castigo (conhecido como “as regras”, diz Schäuble). Embora o corrente ano não seja apontado como problemático pela dupla de árbitros (os Comissários Valdis Dombrovskis e Pierre Moscovici) isso não é a questão. Não há crime agora, mas há punição agora. O único crime foi a esquadra Passos-Portas/Gaspar-Alburquerque ter aplicado a tática da equipa técnica desse tal Wolfgang Schäuble. São esses os resultados no marcador.

Conclusão: Um dia ainda se vai descobrir que esta Eurocracia pode ser ainda mais podre que a própria FIFA …

Crime sem castigo

Durão Barroso deu finalmente o seu grande salto em frente ao servir cafés aos convidados Bush e Blair, com a ajuda do seu amigo camarero Aznar, nessa infame Cimeira das Lages. A invasão ilegal, mentirosa e massivamente desastrosa do Iraque foi o que se seguiu nesse triste 2003: por essa conveniente cumplicidade nunca teve até hoje Durão de responder. O partido do então Primeiro-ministro Durão Barroso sofre depois em 2004 uma pesada derrota nas eleições europeias: no contexto dessa brilhante performance é promovido a Presidente da Comissão Europeia. O legado do Dr. José Manuel em Bruxelas é o desastre da crise da governança financeira da Europa: ao acabar a sua comissão de serviço eis que nem hesita saltar para dentro do bolso de um dos bancos norte-americanos mais sistemicamente suspeitos de sempre.

Conclusão: Oh my god! Quelle horreur! Está mesmo na hora de se perceberem as origens da grande tragédia de instabilidade geopolítica que cerca a Europa e de onde vem este megatentacular complexo especulativo-financeiro gerador de dívida, desemprego e fraude global

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Nota:

Neste espaço já me referi várias vezes à indústria da imprensa escrita, que ainda hoje é o principal motor do jornalismo de investigação. Em particular, a imprensa económica cumpre um papel importante no sistema moderno de media. Sem jornais económicos saudáveis e ativos não pode haver uma “sociedade aberta” na economia.

O jornal “OJE – O Jornal Económico” cumpre esta semana 10 anos de vida. Segundo um estudo do Obercom (Observatório da Comunicação), nessa altura uma nova entrada no mercado era já um caso raro; hoje a sobrevivência de um tal periódico é um fenómeno quase heroico.

Pelo que percebi o seu pendor tem sido a economia internacional, as empresas menos conhecidas e a gestão de finanças pessoais. Mas é a adaptabilidade do modelo de negócio do jornal o que julgo interessante destacar. Nunca foi muito claro: era um jornal de assinatura? Era um jornal gratuito? De qualquer modo, com a crise passou de diário a semanário. Não acabou com o papel mas expandiu a plataforma digital. Não lhe faltam anúncios e agora diz-se que pode absorver o que resta do Diário Económico. Trata-se de um exemplo de como a evolução é possível. O contrário da evolução é a extinção. E a ecologia da imprensa precisa de vida.