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Expresso

Ser feliz na Estatísticolândia

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Os atuais líderes da oposição não estão no circuito da política convencional. Não é aí que eles estão

Com a obra “Mil e Uma Noites” o realizador Miguel Gomes e o produtor Luís Urbano mostram a Portugal, mas também ao mundo, como é avaliar o mirabolante trabalho da troika. Para interpretar verdadeiramente um drama é necessário ter arte. Assistir a essa película e ver o caso da destruição dos estaleiros de Viana, que abre a obra de par em par logo ao início, é como sentir uma quilha de um navio a sulcar alma. A alma de um país é o trabalho. E quem trata assim o trabalho tem de ser afastado como se tratasse de uma praga de vespas.

Entretanto aparecem também os Gatos Fedorentos a recuperar a memória das gentes. Memória é ousadia! É a memória que faz escancarar o escândalo de quem disse que o caso BES nada ia custar aos bolsos dos portugueses. O talento dos Gatos Fedorentos é desmantelarem o circo de sombras em que querem enfiar o povo português. Para acabar com a palhaçada em que se tornou a propaganda do poder são mesmo precisos comediantes.

Foi o primeiro-ministro quem disse que: “Quanto mais tempo demorar a vender o Novo Banco, mais juros recebe o Estado”. Tal como os “cofres estão cheios” de dívida também agora as receitas do Estado são preenchidas como os seus próprios custos. Sim, nada como um bom curto-circuito para ficarmos iluminados. Toda a gente está a ver o filme!

Agora temos um défice de 7,2% do PIB para 2014, exatamente 1 ponto percentual acima daquele de 2004: sim, daquele saudoso governo do Dr. Santana Lopes. Sem dúvida: a direita portanto é regrada e boa a fazer contas. Ou talvez o BES fosse de esquerda e seja tudo culpa de um desvio financeiro episódico e pontual perpetrado por um terrível banco infiltrado por socialistas radicais!

Nada disso interessa. Está tudo bem! Como acertadamente resumiu a TSF: “Passos Coelho diz que é apenas uma estatística e desdramatiza subida do défice.

Se o estoiro dos 4,9 mil milhões de transferências de capital encalhado no Novo Banco que o INE agora estima impactar a contabilização do défice de 2014 revela alguma coisa para já é que até às eleições há ainda bastante informação pertinente a digerir. Se como ainda mostra o INE as despesas públicas caíram 5,2% em 2012, 4,5% em 2013 e apenas 0,4% em 2014 para quê a tal conversa do rigor e da casa arrumada?! Culpe-se o Tribunal Constitucional por não se estar tão mal. Se entretanto as despesas com os funcionários públicos caíram 9,2% mas os gastos com juros aumentaram 11,8% então para quê que o PàF acena com a bandeira da preocupação social. Está tudo bem e anestesiado no reino da apatia estatística.

Entre 2011 e 2015 o poder culpou os funcionários enquanto alimentou os usurários? O défice está pior? A dívida está mais gorda? Qual quê?! Se esta governação é tão estupenda então para quê melhorar?!

Ou como dizia aquela banda: “You’ve come a long way baby”.