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Expresso

Hora de desencostar

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É lançado hoje o livro de Eduardo Paz Ferreira, “Encostados à Parede” (publicado pela Quetzal). É neste 10 de Setembro às 18h30 numa sessão aberta no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, logo ali ao lado da Faculdade de Direito onde é Professor Catedrático. O momento é assinalado pela presença de José Pacheco Pereira, Francisco Seixas da Costa e Viriaro Soromenho Marques que apresentarão o livro. De seguida, diz o folheto de promoção da editora, haverá um momento de música, com canções de Cristina Branco.

Tudo isto mostra já para que serve muitas vezes pararmos para ouvirmos e pensarmos a situação dos dias e o ponto a que chegou a vida pública. Paz Ferreira é umas das referências morais e intelectuais que tem mantido a vigilância cívica ao longo dos últimos anos.

Foi assim que eu próprio me apercebi da pertinência do seu contributo quando o vi uma vez por acaso quando passava os olhos por um televisor que estava sintonizado num desses canais de informação. A argúcia crítica e a presença responsável de Paz Ferreira rasgaram o torpor da tela e dalí vieram frases de acerto e pontos de vista não-triviais num mundo em que o desconcerto impera. E foi assim que passei a estar mais atento, seguindo as suas intervenções. É sempre um investimento que compensa.

Já passaram uns tantos anos de chumbo depois isto e o livro que agora nos traz colige contributos publicados em 2013, 2014 e 2015. São 37 textos saídos em vários jornais ou palestras proferidas em várias circunstâncias públicas a que se juntam cinco entrevistas a títulos variados da imprensa nacional e regional. Tudo reunido mostra bem que este não é um homem de teorias estéreis que acredita que o rigor só deve permanecer acomodado e irrelevante na de sala de aula. Pelo contrário, mostra-se aqui uma enorme capacidade de trabalho e um espírito incansável.

Paz Ferreira conseguiu fazer atrair a atenção de muita gente durante cada vez mais tempo, um feito raro nos dias que correm. Mas é capaz de o fazer numa convergência onde se mantem o pluralismo, como vemos por quem hoje vai discutir o novo livro que é lançado. Mas disso também conseguimos dar-nos conta ao ver a contra-capa do livro onde onde se podem ler testemunhos de personalidades tão marcantes como do ex-Presidente Ramalho Eanes: “Paz Ferreira é um intelectual competenente, lúcido, socialmente empenhado e, por isso, recusa a desfinalização ético-política”. E também se podem ler as palavras do Professor Francisco Louçã: “Nunca desistente, Paz Ferreira propõe soluções”.

Num livro que é pequeno (mais de 300 páginas), pois se fosse maior continuaria a dar vontade de ler, Paz Ferreira não tem apenas ideias e propostas para desbloquear um país emparedado na chantagem da desconfiguração das suas liberdades e dignidade. Paz Ferreira também evoca cultura e poesia. Daí as canções de Cristina Branco darem tanta coerência, uma sintonia com a obra escrita, ao momento de hoje ao fim da tarde. Tudo isto, por razões que têm que ver com a razão, a ética e a estética são motivos para acreditarmos que vale a pena desconformizar e retomar a acção.

Não há desculpas para ignorar o que é tão importante para nós. Esta frase vem numa das exortações de um livro recente de Pedro Adão e Silva e Mariana Trigo. De facto, não há mesmo desculpas: estão a sair trabalhos de grande qualidade que observam e analisam as políticas económicas e sociais que caracterizam a actualidade. Publicado pelo Clube do Autor “Cuidar do Futuro - Os Mitos do Estado Social Português” é um livro que aborda um conjunto pertinente de perguntas para a vida de todos. A despesa do Estado Social serve para pagar eleições? Vale a pena descontar hoje amanhã depois pode não haver dinheiro quando me reformar? Os dependentes e os desgraçados parasitam o erário público? Numa apresentação em que falará Manuela Ferreira Leite este trabalho será debatido em público no dia 14 de Setembro, às 18.30 no Piso 7 do Corte Inglés em Lisboa. Mais uma obra que vem em boa hora.