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Expresso

Lusofonia é mar

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Em Portugal está a ser organizada esta semana a “Semana Azul”/“Blue Week”. Este é um evento importante e que deve ser visto de modo inclusivo e como sendo de interesse nacional. Num mundo globalizado, aliás, o interesse nacional tem de ser re-definido num âmbito cosmopolita (os objectivos e aspirações dos outros importam para os nossos).

 A agenda de Portugal como um território que também inclui mar é, por isso, um veículo temático demasiado importante para ser conotado com quaisquer governos ou metido para o canto dos preconceitos ideológicos de pacotilha. Trata-se de uma questão de identidade numa arena internacional que é hoje confusa, tensa e febrilmente competitiva.

Por isso, uma definição de Portugal como país cosmopolita precisa de ser desenhada pelo menos em cima de dois estiradores: o mar e a língua portuguesa. Estes são dois recursos-chave para Portugal, mas são também duas infra-estruturas abertas. E a capacidade de ser aberto ao outro é um activo distintivo nos tempos que correm.

É por isso importante ver que o Secretariado Executivo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) tem um Pavilhão na actividade paralela “Blue Business Forum”, que terá lugar de 4 a 6 de Junho na FIL. Há muita economia em língua portuguesa ligada ao mar, sem dúvida o turismo e as pescas; mas também numa óptica mais fundamental o conhecimento e o governo dos recursos marinhos biológicos e minerais. Por isso importa dar conteúdo a uma noção que há muito tempo não passa de um chavão, a “economia do mar”.

E é também de interesse que vá haver um encontro às margem dos vários eventos entre os Ministros dos países CPLP: o debate “A Estratégia da CPLP para os Oceanos”. Dois dos temas de enfoque são suficientemente significativos: “Processos de Extensão das Plataformas Continentais” e “Parceria da CPLP para o Lixo Marinho”.

Estes são temas em que os participantes e observadores CPLP devem exercer imaginação e eficácia. Estes países que não existiriam na sua forma actual não fosse a história que os ligou pelo mar têm a obrigação de gerar resultados a partir desta iniciativa.

Pode haver agora uma oportunidade para cooperar naquilo que são essenciais “bens públicos internacionais”, uma noção positiva e produtiva onde cada um pode ter o seu papel.