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&conomia à 3ª

Cofres cheios de VIPs a multiplicarem-se?

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Fazer política não é para todos. Já se sabe. Ser político é o ganha-pão de muitos mas a vocação de poucos. E a falta de jeito só é comparável à falta de bom senso e sensibilidade. Mesmo dos bem-intencionados.

Apesar de ainda faltar muito tempo para as eleições, os intervenientes políticos dos vários quadrantes já não se escondem atrás de pseudo-poses de estado e facilitam o trabalho dos eleitores mais distraídos.

O populismo provinciano em Portugal bateu já recordes a 7 meses das eleições. Deve ser da retoma.

De listas de pedófilos a listas de contribuintes VIP, passando pelos cofres cheios de falta de jeito político a exortações das camadas jovens partidárias para se multiplicarem, em jeito de clímax de discurso eleitoral, a democracia respira liberdade após 40 anos da revolução.

A ternura dos 40, como cantava Paco Bandeira, atingiu Portugal em ano de eleições e fê-lo assumir o seu provincianismo em todo o seu esplendor. Já não sentimos necessidade de fingir que somos europeus com um projecto de vida e de estado, em que os fins ainda justificam os meios.

Nos últimos anos, a tentativa atabalhoada de convergência com os países desenvolvidos da Europa tem feito com que Portugal atropele os direitos dos cidadãos de forma propositada, como quem segue um atalho para encurtar o seu longo caminho a percorrer.

Muitas vezes esquecendo que os países desenvolvidos com quem tentamos convergir fizeram esse caminho com tempo e planeamento. E Portugal nunca dispôs de nenhum.

A populista lista de pedófilos não é mais do que o reconhecimento dos políticos e das instituições judiciárias e policiais da sua incapacidade de proteger os cidadãos inocentes e punir/reintegrar os culpados. É mais fácil publicar as listas, e os pais que se cuidem e protejam as suas crianças, do que assumir a responsabilidade da sua protecção ou da falta desta!

A lista de contribuintes VIP é sacrificada em praça pública de forma populista porque nenhum político tem a coragem nem a visão política de defender a sua utilidade específica e a sua aplicabilidade geral a todos os cidadãos. Do governo à oposição ninguém ousa defender os contribuintes do bullying fiscal perpetrado pelos trabalhadores do fisco. E pelos seus responsáveis políticos.

Disparar primeiro e nem perguntar depois não se encaixa bem na definição de Estado de Direito.

A comunicação e o bom senso não têm sido propriamente o forte deste governo. Nem da oposição. As tiradas infelizes e populistas dos cofres cheios e do incentivo à multiplicação entre as hostes das juventudes partidárias anulou por completo a liderança da oposição na defesa do quão melhor Portugal está agora, comparando com 2011.

Mas a política populista não governa ninguém. A não ser os políticos. 

Os políticos e as instituições do Estado de Direito não se podem desresponsabilizar da defesa dos seus cidadãos. Defesa social, económica, judicial e policial. 

Porque o Estado são os cidadãos. E porque são os cidadãos que pagam os políticos que os defendem. E todos os outros.