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Expresso

&conomia à 3ª

A China desafiou os EUA e já venceu! Com ajuda da Europa...

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A importância dos EUA como potência líder mundial está cada vez mais posta em causa pela fulgurante ascensão da China. A fraca Europa nunca contou como desafiadora nem como suporte dos EUA para nada. E agora só servirá para desempatar. Na melhor das hipóteses.

A diplomacia americana já não é o que era. Nem a política nem a militar. Muito menos a económica. Os EUA falharam em evitar a adesão, como membros fundadores, dos principais países ocidentais ao Asian Infrastructure Investment Bank ("AIIB"), patrocinado pela China.

Este fim-de-semana também a Austrália decidiu tornar-se membro fundador do AIIB, após meses de hesitação, juntando-se ao Reino Unido, Alemanha, França, Itália e Suíça, para além de outros aliados históricos dos EUA, perfazendo já mais de 40 membros iniciais.

A criação do AIIB e o seu funcionamento irão desafiar o Fundo Monetário Internacional ("FMI"), o Banco Mundial e o Banco de Desenvolvimento Asiático ("BDA") nalgumas áreas fundamentais da sua actividade.

A génese da criação do AIIB deve-se ironicamente aos EUA e à sua inabilidade política e diplomática de reconhecer e apoiar as mudanças dos tempos e das vontades, especialmente dos mercados emergentes e da sua crescente contribuição para a economia mundial.

A decisão de criar o AIIB foi tomada em 2013 após a recusa dos EUA em ratificar modestas alterações ao modo de funcionamento do FMI, decididas em 2010 pelos seus membros.

A gestão do FMI é liderada pelos EUA e Reino Unido desde a sua criação nos anos 40. As quotas dos membros do FMI são de 17,7% dos EUA, 6,1% da Alemanha, 4,5% do Reino Unido e França, 4% da China, 2,5% da Rússia, 2,4% da Índia e 1,8% do Brasil.

As alterações de governance do FMI aprovadas pelos membros mas não ratificadas pelos EUA, serviriam para alterar as quotas dos países e reforçar o poder da China e de outras potências emergentes da Ásia na gestão corporativa do FMI.

Os significativos atrasos no desenvolvimento de infraestruturas na Ásia provocados pela crise financeira Asiática de 1997-1998, requerem investimentos em infraestruturas na ordem dos 8 triliões de dólares americanos até 2020, de acordo com estimativas do BDA para a região da Ásia-Pacífico.

A corrida dos principais países ocidentais à adesão ao AIIB como membros fundadores reflete o grande interesse dos seus governos em ganhar contratos de construção de infraestruturas para as companhias dos seus países.

E reflete igualmente o esforço de países como o Reino Unido, Alemanha e Luxemburgo em atrair negócios, investimentos e outras actividades financeiras em Renminbi, acompanhando o aumento esperado da utilização da moeda chinesa em transações internacionais.

Portugal está bem posicionado para liderar a diplomacia económica com a China, capitalizando nas suas relações preferenciais com a Europa, África e Brasil. E as recentes aquisições de empresas portuguesas por empresas chinesas de referência são um bom indicador deste novo paradigma mundial.

Este é o maior desafio político e económico da actualidade. Só os EUA ainda não perceberam.