Siga-nos

Perfil

Expresso

Resgatar o resgate

  • 333

Não queria abordar este tema. Mas a nova forma de fazer política nacional, moderna e democrata, que permite todos falarem de tudo da maneira que entendem, exige algum contraditório. Democrático, pois então.

O “nacional porreirismo” tem destas coisas. Dar uma entrevista a uma estação de televisão estrangeira numa esplanada de jardim desconcentra qualquer pessoa. Especialmente políticos habituados a fazer política nacional sendo entrevistados por jornalistas estrangeiros habituados a fazer falar políticos menos experientes.

Analistas, comentadores e políticos de esquerda defendem que o 2o resgate sempre esteve presente porque a “saída limpa” foi uma farsa da direita e/ou é mais uma chantagem da Comissão Europeia.

Toda a direita defende que um ano de governo das esquerdas unidas será o suficiente para voltarmos à situação de 2011 e hipotecar quatro anos de sacrifícios para mostrar que somos todos sérios e honrados, para além de muito trabalhadores e responsáveis.

Mas enquanto internamente todos vivem a nova democracia em pleno, alimentando a luta ideológica entre esquerda e direita num autodestrutivo ajuste de contas antigas, os investidores e financiadores externos olham de fora para o nosso país com a frieza dos tão odiados “mercados”. Que vão financiando os carros e as casas dos portugueses.

A gestão de expectativas dos mercados financeiros internacionais não é bem igual à gestão do eleitorado nacional e do acordo de “polícia bom e polícia mau” dos partidos que apoiam o governo.

Visto de fora, o impacto da inabilidade política em gerir expectativas de qualquer ministro das finanças de qualquer país altamente endividado e sem crescimento, saído de um qualquer resgate externo só é ultrapassada pela inabilidade de qualquer Primeiro-Ministro que insiste em pensar que os “mercados” se gerem da mesma forma que a oposição.

Populismo e seriedade à parte, poucos investidores e credores apreciarão o estilo e a forma de evitar resgates externos enquanto se recomenda a caça interna de pokemons.

O nível político e da política em Portugal estão assim cada vez menos em conformidade com as necessidades e exigências do país. Tal como a economia.

Da mesma forma que a austeridade não se combate com aumentos de impostos indirectos a cada 6 meses. Pois trocar impostos directos por impostos indirectos não é diminuir impostos. Nem faz a economia crescer, para surpresa de alguns.

Como se viu em 2011, o orgulhosamente sós é um sonho cada vez mais distante. Já vimos que não é por se negar algo que este não acontece. Talvez os impossíveis existam. E os pokemons também...