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Expresso

&conomia à 3ª

O último reduto dos políticos

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O último reduto dos políticos do Portugal pós-revolucionário está prestes a desaparecer. Nos velhos tempos em que a iniciativa privada em Portugal era ainda residual, os políticos tinham nas empresas públicas uma recompensa pelos bons serviços prestado à nação. Ou pelo menos ao partido.

Sem grandes comissões parlamentares de inquérito do PSD/CDS, auditorias forenses do BE ou exames de Bruxelas, não é difícil recordar os bons tempos das administrações políticas da PT, EDP, CTT, TAP e CGD quando o Estado ainda era o “dono disto tudo”.

O aumento de escrutínio à CGD provocado pela sua recapitalização e reestruturação actualmente em discussão, levará necessariamente ao aumento da transparência da sua gestão pública.

As autoridades europeias apenas aceitarão a recapitalização pública da CGD se esta for acompanhada de uma reestruturação, apesar do que os partidos que apoiam o governo ainda querem fazer crer. E por isso nem querem falar de números.

No entanto, a confusão entre reestruturação e recapitalização é compreensível em Portugal, onde uma é quase tão odiada quanto a outra, por serem tão indesejáveis quanto excepcionais na economia nacional.

Um país construído com dívida, por empresários descapitalizados apoiados em bancos com liquidez abundante suportada num Euro financiado a taxas de juro subsidiadas pela União Europeia a partir de 2000, explica grande parte dos problemas que agora surpreendem os políticos.

Adicionalmente, num pequeno país como Portugal, as fortes e antigas relações entre todos os intervenientes económicos, com especial destaque para políticos, empresários e reguladores, favorecem escolhas pessoais em detrimento de escolhas profissionais.

Este círculo vicioso a funcionar há 40 anos em circuito fechado e cada vez mais pequeno, fomenta a incompetência e não necessariamente a corrupção, salvo algumas excepções que agora vão aparecendo. A incompetência é facilmente desculpada pelo “nacional-porreirismo”, enquanto a corrupção ainda não.

A culpa será assim sempre da crise financeira de 2008, que veio destapar muitos buracos habilidosamente cobertos com dívida. Muitos já na esfera privada e privatizada da economia mas alguns ainda na esfera pública. Quase todos financiados pelos bancos nacionais. Privados e público.

Todos os intervenientes, e são muitos, sabem o que se passou nas grandes empresas públicas. Mas nunca nenhum pensou que chegariam a este ponto de ruptura tão rapidamente. Porque nunca nenhum pensou que a dívida ia acabar.

Agora o Estado tem mesmo que aumentar significativamente o capital da CGD… a boa notícia para os políticos é que para isso basta aumentar a dívida pública. Como sempre…