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Expresso

Os migrantes e os refugiados ainda vão salvar a Europa?

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A campanha para o referendo do Brexit no Reino Unido é retomada hoje, após ter sido suspensa devido ao trágico assassinato da deputada Trabalhista Jo Cox, na quinta-feira da passada semana.

Nestas últimas semanas já tinha ficado claro que nenhuma das partes envolvidas na campanha sabia o que iria acontecer se realmente houvesse Brexit. Como é típico nestes casos, a tendência é para exagerar no discurso e extremar posições em conformidade.

A demagogia política tinha assim já tomado o controlo da campanha, com os atacantes do Brexit prometendo o Armagedão económico, financeiro e social, enquanto os seus defensores prometiam felicidade eterna sem refugiados e outras ameaças à vida no paraíso, tal como imigrantes e outras chatices do género.

O frenético líder do partido independentista UKIP, Nigel Farage, deixou-se embalar pelas sondagens das últimas semanas, favoráveis ao Brexit que apoia ferozmente, guardando o seu melhor para a última semana da campanha.

Assim, no mesmo dia do referido infeliz acontecimento, os “génios” do UKIP lançam um novo cartaz político a favor do Brexit, no qual aparece uma longa e larga fila de refugiados em marcha entre países, na sua fuga ao terror da guerra. O sloganBreaking Point” ainda piora a situação.

Adicionalmente, o facto do alegado assassino com alegadas perturbações mentais ter gritado “Britain First” antes ou enquanto disferia os golpes fatais na deputada, foi fatal para a campanha dos apoiantes do Brexit.

Apesar de “Britain First” ser um pequeno partido de extrema-direita sem expressão significativa no panorama político britânico, os atacantes do Brexit não pouparam nas comparações com o radicalismo de Farage e dos apoiantes do Brexit.

O cartaz anti-imigrantes dos refugiados em marcha tem servido e irá servir para enterrar o Brexit na sepultura do racismo e xenofobia, focando a campanha na velha batalha contra o ódio racial, vencida há muito tempo pelas leis e pela sociedade britânicas.

A comparação efectuada por George Osborne, do cartaz do UKIP com a propaganda Nazi tão bem conhecida dos britânicos, já contaminou todos os apoiantes do Brexit. Boris Johnson já se distanciou e reiterou o seu apoio aos imigrantes e refugiados numa tentativa de salvamento moral do Brexit. Sem sucesso…

Pois o primeiro-ministro David Cameron e o seu ministro das finanças George Osborne já fizeram estragos suficientes na opinião pública, aproveitando este erro de palmatória do UKIP num país com tão elevada sensibilidade a questões raciais e de igualdade.

A sorte da Europa actual é ser mais fácil vencer um referendo contra o racismo e a favor da solidariedade do que decidir sobre o Brexit. Demagogia à parte…