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Expresso

Vai uma aposta?

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As eleições representam sempre períodos de instabilidade política. As campanhas eleitorais são as grandes responsáveis, devido ao comportamento dos políticos e da perceção das suas atitudes na opinião pública e publicada.

O principal objetivo dos partidos políticos numa campanha eleitoral é criar a expectativa de vitória. Em campanha, os partidos pequenos esforçam-se para parecerem ser iguais ou maiores que os grandes partidos.

Os partidos mais ativos, mais mobilizadores nas ações de campanha e que por isso conseguem fazer mais “barulho” que os outros, parecem estar em vantagem. De modo a convencer os eleitores da sua força. Para que mais se juntem à causa vencedora.

O destino da União Europeia vai a votos no Reino Unido durante o próximo mês de Junho e a campanha eleitoral sobe de tom a cada semana que passa. Os apoiantes do Brexit levantam o tom de voz e parecem de facto muitos.

O referendo ao Brexit transformou-se assim num trampolim político de políticos, aspirantes a políticos e exibicionistas no geral para o centro da arena política do Reino Unido, no quintal das traseiras da União Europeia.

Depois de Boris Johnson na semana passada ter assumido a corrida pela liderança do Partido Conservador através do apoio do Brexit contra o seu arqui-amigo David Cameron, foi a vez do responsável máximo da Câmara de Comércio Britânica, John Longworth, assumir a sua posição de apoio ao Brexit esta semana.

Apesar da indispensável neutralidade do organismo que liderava, apesar da maioria dos seus membros (60%) serem contra o Brexit, Longworth anuncia o seu “importante” apoio ao Brexit numa conferência de imprensa altamente politizada enquanto responsável da Câmara de Comércio Britânica. Obviamente foi demitido e por isso catapultado para o centro do debate político como mártir da sua causa.

Sem surpresa, as 22 sondagens efetuadas desde o Natal apresentam resultados contraditórios, vencendo o Brexit em 8 delas contra 13 que expressam a vontade de permanência do Reino Unido na União Europeia. No entanto, as últimas 6 sondagens apresentam uma derrota do Brexit com pequena margem de votos.

Mas como os britânicos perceberam nas últimas eleições legislativas, as sondagens não são fiáveis porque as pessoas também não são. Algumas pessoas mentem, outras mudam de ideias e o resto nem sequer vota. E as amostras são sempre insuficientes.

Mas numa economia com tanta e tão boa estatística, e com tanta tradição e cultura de apostas, o fulgor apostador dos britânicos é o melhor barómetro para o referendo. A amostra é bem mais representativa que qualquer sondagem e a decisão bem mais racional e consequente. Porque envolve dinheiro, claro.

Num país onde até se aposta na cor do vestido da Rainha no dia da corrida de cavalos mais importante, Royal Ascot, as apostas apontam para uma abstenção de 25% a 30%. As apostas mais populares atualmente são de 4/11 para o Reino Unido permanecer na EU e de 5/2 para o Reino Unido sair da EU, dando assim bastante maior probabilidade à permanência na UE.

Vai uma aposta?

Nota: para os apostadores menos experientes, uma aposta de 4/11 significa que se apostar £11 recebe £4 (mais as £11 que apostou).