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Expresso

Presidenciais ou 2ª volta das legislativas?

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A fúria legislativa dos partidos e dos deputados que apoiam o governo está ao rubro. Os sindicatos aplaudem e os líderes sindicais agem e falam como se fizessem parte do governo. É um sonho tornado realidade da esquerda para a esquerda.

Mas cada vez mais pessoas se interrogam como será possível pagar tanta generosidade. Já diz o povo que quando a esmola é muita, os eleitores desconfiam. O mesmo não acontece com a grande maioria dos candidatos à Presidência, que parecem apostados em fingir que acreditam no governo para não afugentar a esquerda da esquerda e a esquerda da direita.

A recente divisão da sociedade portuguesa em direita e esquerda, alegadamente provocada pelas últimas legislativas, é afinal um detalhe. A presente campanha eleitoral demonstra que existem várias esquerdas boas e uma direita má.

Por isso ninguém quer o apoio da direita má, mas todos querem o apoio das esquerdas boas.

A esquerda da esquerda tenta segurar o seu eleitorado das legislativas passadas, numa demonstração de força ao governo. Por isso a sua campanha Presidencial não é muito diferente das legislativas, num registo puramente partidário de quem pensa que pode governar alguma coisa a partir de Belém.

O partido do governo desdobra-se em apoios mais ou menos encapotados à candidata mal-amada do seu partido de esquerda e ao seu candidato “messiânico” de esquerda da esquerda. Entre soldado-raso e General, a escolha do apoio partidário seria obviamente difícil.

A direita apoia o candidato de direita que finge ser da esquerda da direita, e que por isso repudia o apoio da direita. Enquanto os candidatos das várias esquerdas lutam pelo apoio partidário para tentar capitalizar no resultado das legislativas, o candidato de direita luta por um lugar à sombra da esquerda pelos mesmos motivos, chegando já a apregoar "o papel permanente e insuperável do estímulo ao consumo interno".

O debate dos 10 candidatos à Presidência que terá lugar esta noite adivinha-se histórico, no mínimo. Será certamente o reflexo da atual situação política em Portugal, espelhado na campanha eleitoral para o mais alto cargo da nação.

O desconhecimento da maioria dos candidatos sobre as funções e responsabilidades do Presidente da República, previstas e limitadas pela constituição, cumprirá o propósito de todos os candidatos em não esclarecer coisa alguma.

Tal como nas legislativas, no baralhar é que está o ganho e com tantos candidatos já ninguém se entende. Venha o eleitor e escolha... pois desta vez só pode ganhar um deles.