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Expresso

Ainda mais resoluções este ano?

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Esta altura do ano é propícia a balanços e resoluções. Balanços da vida pessoal e profissional com base nos acontecimentos do ano que passou e resoluções de Ano Novo baseadas em expectativas de um futuro melhor, quase sempre demasiado optimistas.

O dia de ontem foi o primeiro dia útil de 2016 e já começou a fazer estragos. Como se não tivessem bastado os últimos dias de 2015 para ameaçar estes primeiros dias do ano que costumam ser de sonho e de ilusão. Mas parece que a tradição já não é o que era.

As bolsas europeias encerraram ontem a primeira sessão do ano com perdas superiores a 2%, no pior arranque anual de sempre, seguindo a tendência dos mercados asiáticos. Enquanto os juros da dívida soberana portuguesa avançam.

De acordo com analistas consultados pela Bloomberg, a maior economia da América Latina, o Brasil, registará no acumulado dos anos de 2015 e 2016 a maior recessão desde 1901, em mais de 100 anos desde que há registo do instituto nacional de pesquisa económica IPEA.

A indústria dos EUA registou em dezembro a maior contração dos últimos 6 anos, acentuando a queda do mercado de capitais que já estava a ser arrastado pelas quedas europeias e asiáticas, também esta influenciada pela quebra na produção industrial.

A recente escalada da tensão entre a Arábia Saudita (principal produtor de petróleo da OPEP) e o Irão era só o que faltava para ajudar a instabilidade internacional a aniquilar qualquer esperança de melhoria em 2016. A tendência de subida no preço do petróleo já se fez notar e pode ganhar ânimo, contrariando qualquer expectativa de recuperação mundial.

Enquanto isto, em Portugal regista-se a recuperação do sector automóvel em 2015 ultrapassando o patamar das 200.000 viaturas vendidas e regressando a valores pré-troika de 2011, o que não deixa de ser um bom indicador da melhoria das expectativas dos consumidores portugueses.

No entanto, e apesar das expectativas inicialmente criadas pelo anterior governo e pelo actual, parece que ainda existirão algumas surpresas desagradáveis no caminho da recuperação.

E que serão sempre os mesmos a pagar a factura. Directamente através dos seus impostos, mais tarde ou mais cedo, ou indirectamente à custa do menor investimento privado estrangeiro e maior risco político e económico de Portugal face ao exterior.

Com tantas dificuldades e incapacidades internas, não haverá recuperação externa ou pelo menos europeia que nos valha.

A melhor resolução para o novo ano de 2016 é assim acreditar que os investidores estrangeiros estão distraídos com tantos outros problemas bem mais representativos para as suas carteiras de investimento.

Votos de um excelente 2016 e que o BCE nos acompanhe.