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Expresso

Associação de estudantes de política

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O programa de governo da PàF incluirá certamente muitas medidas do programa original do PS e mesmo algumas que vão agora sendo reveladas pela coligação de esquerda, para justificar a sua grande abertura e moderação.

A criação dos ministérios da Modernização Administrativa e da Cultura já foram exemplos do que ainda aí está para vir. A PàF irá ao encontro do PS em matérias de cultura, inovação, saúde, educação e da chamada “defesa do Estado Social”.

As restantes medidas do acordo que a coligação de esquerda ainda está a negociar ou já negociou, continuam envoltas em grande segredo para evitar a sua usurpação pela direita, que agora também já aderiu à irresistível moda da esquerda.

Moda de ser de esquerda como nos bons velhos tempos da universidade e das associações de estudantes. Em que os ânimos fervorosos do mundo a preto e branco eram bem mais interessantes do que o mundo que os cinzentões acomodados pintavam. Tudo parecia tão fácil. E afinal é!

Afinal a vida real não é mais do que a Lista X contra a Lista C, a lista "boa onda" contra a lista "careta", a lista dos "festivaleiros" contra a lista dos "marrões". E mais uma vez ganha quem promete mais e melhores festas. Sendo a melhor festa a do poder. Poder distribuir e exercer o poder.

Mas o carpe diem da política associativa das universidades aplicado aos governos nunca deu bom resultado. Nem em Portugal nem em lado nenhum.

Talvez porque a promoção pessoal com vista à obtenção do máximo de popularidade não deve nunca ser o principal objetivo dos eleitos. Nem o enriquecimento do seu curriculum. Tal na universidade como no governo.

Embora tenha sido desse tubo de ensaio que é a política associativa que quase todos os provetas da nossa política nacional saíram. E talvez por isso a bipolarização atual faça sentido à luz das rivalidades políticas estudantis, em que cada um apelava ao sentimento de grupo para angariar apoiantes para a causa. Em que muitas vezes a causa era ser contra os outros. A favor dos nossos.

Os adversários confundem-se com inimigos e por isso a negociação assume contornos de confronto. Interessa ganhar para vencer o outro, o derrotado. O clima político está tenso e quase em modo de “vale tudo”, pois todos já têm pouco a perder. Menos os portugueses.

A expectável inclusão de algumas das medidas do programa do PS no programa de governo, tais como a reposição dos salários da Função Pública e a descida do IVA da restauração, até poderão ser consideradas oportunistas, mas esta já deve estar longe de ser a principal preocupação da coligação PàF, pois oportunismo com oportunismo se paga. Tal como nos tempos das associações de estudantes. Principalmente estudantes de política.