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Expresso

Fado, Família e Futebol políticos

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Foram necessários 41 anos de democracia em Portugal para clarificar a (des)união democrática reinante. Afinal a luta continua, entre a Esquerda e a Direita. Entre o desejado Estado social(ista) e o real estado de austeridade.

Os políticos são exímios a interpretar os resultados das eleições. Há sempre interpretações a gosto e para todos os gostos. A criatividade não tem limites, como bem ilustram os recentes comportamentos dos membros dos actuais partidos políticos.

A confiança é tal que justifica a esquerda de protesto vir ocupar espaço à sua direita, da mesma forma que a esquerda de governação tenta ocupar toda a esquerda. A luta entre as esquerdas é uma velha conhecida dos Portugueses, mas agora assume novos contornos e forte dinâmica. E não vai acabar bem.

O actual elemento destabilizador do equilíbrio histórico da esquerda tradicional, entre PCP e PS, tem sido o BE como é (re)conhecido. Coadjuvado e muito por um PS com uma forte crise de identidade aguda, após anos de bipolaridade interna crónica entre a ala esquerda e a ala moderada de centro que tão bem define o PS.

A agora autoproclamada maioria absoluta de esquerda é afinal obtida com um partido socialista com políticas de direita, como defendido ferozmente pela esquerda de protesto do PCP e do BE durante toda a campanha eleitoral. Com toda a razão, se a austeridade for considerada uma maldade da direita, pois o programa do PS prossegue as inevitáveis políticas de austeridade para cumprir o défice.

As famílias políticas comportam-se e agem assim cada vez mais como adeptos, tão fervorosos quanto tendenciosos, de clubes de futebol em pleno derby. Este parece ser o fado actual dos portugueses.

Os interesses pessoais e partidários lideram as actuais estratégias de tomada do poder e justificam tamanha animosidade nas relações entre partidos. O ódio e a sede de vingança toldam o pensamento e ofuscam a percepção da realidade. Bem como a necessidade de sobrevivência partidária aguça o instinto da luta pelo poder político.

A dificuldade que os actuais políticos apresentam em lidar com realidades diferentes e opiniões diversas é assustadora, nesta altura do campeonato democrático. É o salve-se quem puder na política nacional, quando se esquecem qual a razão da sua existência e das suas fulgurantes carreiras políticas.

Poucos ganharão com tamanho mau começo deste novo ciclo político, em que as divergências partidárias e pessoais se sobrepôem à necessária convergência nacional.

Mas todos sabem quem ficará a perder com o aumento do fosso entre a esquerda e a direita em Portugal. Ou deveriam saber. Parece que 41 anos não foram suficientes para conhecerem o povo que têm.

A história diz que será o centro esquerda quem tem mais a perder. Os portugueses reavivarão a memória dos políticos mais esquecidos dentro de 1 ano. E a direita agradece.