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Expresso

A minha Esquerda é melhor do que a tua!

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As comemorações do aniversário da implantação da República já dizem pouco a muitos portugueses. Como dado adquirido que é para as actuais gerações, celebrar a República consiste apenas em relembrar os seus objectivos à classe política.

A república democrática deve servir os interesses da sociedade civil, privilegiando o interesse da maioria mas atendendo à protecção do interesse da minoria, garantindo tratamento igual para todos.

As eleições legislativas deste fim-de-semana ficarão na história da república. Pelo menos na história da esquerda.

Já vem de longe a grande dificuldade dos partidos da esquerda em se entenderem. Não só entre eles mas também dentro deles. As lutas internas entre egos de militantes em ascensão, têm originado a elevada fertilidade dos partidos de esquerda na concepção de novos partidos.

À medida dos seus criadores, novos partidos são criados após qualquer ligeira pseudo vitória, ou crise de identidade, que assim o justifique. No mundo próprio dos visionários criadores de partidos, o céu é o limite. Só lhe faltam asas… ou eleitores descontentes ou desiludidos que já nem lêem os respectivos programas antes de votar.

É curioso notar a falta de vontade/disponibilidade dos partidos de esquerda para coligações entre si. Falta de vontade real, sem contar com propostas indecentes deliberadamente para os seus pares não poderem aceitar. Isso tem outro nome.

Na esquerda todos querem ganhar. Não há interesse comum que lhe valha. Os ataques fratricidas entre partidos que proclamam a paternidade dos valores democráticos e da união faz a força, contrariam a sua mensagem aos seus militantes. Faz o que eu digo cá dentro mas não faças o que eu faço lá fora.

A CDU defende o seu território à esquerda e proclama vitória por continuar a existir. O BE ataca à esquerda e proclama vitória por roubar votos ao PS e CDU. O PS nem defende o seu território ao centro nem ataca à esquerda e proclama injustiça por não perceber o que aconteceu.

O BE quer assumir a liderança da esquerda de protesto, distanciando-se da imóvel CDU. Fingindo que é alternativa ao PS, tenta entrar no arco da governação de esquerda, enquanto o PS não conseguir escolher entre a esquerda e o centro.

O PS tem agora uma escolha difícil. Escolher entre ser refém do BE num governo de coligação de esquerda ou ser o viabilizador de um governo de centro, puxando para a esquerda a coligação de direita, como o povo escolheu.

Seja qual for a decisão do PS, deverá saber que será determinante para o seu futuro. Futuro de alternativa de governo ou de liderança da esquerda de protesto.

Seja como for, a Esquerda está de parabéns! Conseguiu ficar na história por viabilizar mais um governo de direita em Portugal. Mas isso pouco lhes importa, porque têm outros feitos mais importantes para celebrarem e porque ganharam todos.