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Expresso

Votar por amor ou por ódio?

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As campanhas eleitorais são do melhor que a democracia tem. Em grande parte porque antecedem as eleições, que deveriam ser como o Natal. Sempre que o homem quiser.

As eleições constituem a parte mais visível da democracia, devolvendo o poder ao povo de 4 em 4 anos e aproximando os eleitos dos eleitores, os líderes dos liderados, os políticos dos politizados.

Como é bom constatar que afinal os políticos também gostam de se misturar com o povo, de beber copos com os “amigos” na rua e de comer bolos sem guardanapo. Ou pelo menos fingem que gostam, o que já é divertido.

Afinal, os políticos não são mais do que comuns mortais. Com muita falta de jeito mas muito esforçados nestas alturas, fazendo de tudo para impressionar os exigentes eleitores.

A tentativa de aproximação dos políticos ao povo baseia-se nas mais elementares técnicas de enamoramento. Promessas de amor eterno e de fidelidade selam o compromisso com as caras-metade.

O amor é cego e por isso muitos eleitores não questionam o seu casamento de anos com o seu partido, apesar das facadinhas que levam dos seus políticos durante a relação. Pancadinhas de amor sempre foram normais e assim é a vida.

Os solteiros da política são quem mais se diverte nestas alturas de promiscuidade eleitoral, abusando de relações avulsas com os políticos e ferindo muitas vezes os seus sentimentos, pois só querem namoriscar.

Os divorciados da política ou dos partidos resistem fortemente a novos casamentos, sendo muito selectivos em novas relações e preferindo longos namoros. Mais difíceis de convencer, necessitam de esforço e habilidade extra dos políticos. Pois conhecem bem estas andanças.

A fidelidade partidária parece ser maior à direita do que à esquerda. Por falta de alternativas à direita ou por excesso de alternativas à esquerda. Os casamentos à esquerda tendem assim a ser mais atribulados mas também mais justos, pois as facadas dos políticos podem ser vingadas por relações fortuitas com outros partidos da mesma família.

São assim os divorciados da política e os traídos pelos partidos que decidem as eleições em Portugal. Principalmente os traídos pelo partido da governação, seja ele de esquerda ou de direita, que procuram vingança. Por amor ou por ódio. Ou ambos.

Por isso se diz que as eleições perdem-se. Não se ganham. Perdem-se por ódio. Não se ganham por amor.

Na campanha eleitoral, os políticos tudo fazem e tudo farão para conquistarem mais um eleitor. Ou para manterem o casamento. Juram que desta vez será diferente e que irão cumprir todas as promessas.

O próximo pode ser você! Aproveite bem... porque não vai durar para sempre.