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Expresso

À grande e à francesa na Grécia e agora na Europa?

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A tragédia grega está longe de ter acabado. Os pobres gregos não têm dinheiro nos bancos. Os gregos ricos já não têm o seu dinheiro na Grécia. O governo grego já não tem a sua maioria. O Syriza já não tem ideias espectaculares. Tsipras já não tem espinha, nem Plano B, nem orgulho, nem Plano A. Tsipras já só tem o seu amigo Hollande. E que amigo...

A única parte boa do acordo que a Grécia terá que implementar é poderem receber algum dinheiro antes de serem conhecidos os efeitos das medidas que terão que tomar, independentemente da sua eficácia. Depois logo se vê. Quanto mais tarde melhor...

Este deverá ser o Plano C. Enquanto o chicote vai e volta, folgam as costas. E no entretanto pode ser que o prometido milagre aconteça e a Alemanha perceba finalmente que os gregos decidiram democraticamente que não querem mais austeridade, preferindo viver felizes para sempre, como Tsipras tenta explicar há 6 meses.

Parece que os gregos odeiam os alemães e vice-versa. Pelo menos os seus líderes. A proposta defendida pela Alemanha de saída temporária da Grécia do Euro, juntamente com a proposta de criação do fundo de activos gregos para privatização, terá sido a machadada final no pouco carinho que ainda restava entre ambos.

Pelo contrário, o apoio dos franceses à manutenção dos gregos no Euro tardou mas não falhou. A concordância de última hora com a necessidade de perdoar parte da dívida grega, suportando a ideia do FMI, foi muito bem recebida pelos gregos, ávidos de consolo.

Este apoio dos franceses aos gregos e à sua manutenção no Euro faz sentido, quanto mais não seja para salvar a face dos políticos franceses.

Convém relembrar que o maior promotor da ideia do Euro foi o ex-Presidente François Miterrand e que os franceses promoveram muito mais activamente a entrada da Grécia no Euro do que os alemães. E não só por coincidência, os bancos franceses eram de longe os maiores detentores de dívida pública grega em 2009. Actualmente, o maior credor da Grécia é a Alemanha, logo seguida pela França.

Desde a criação da CEE, os líderes alemães têm-se escondido atrás dos líderes franceses para tentarem evitar passar a imagem de domínio da Europa. O apoio da França à Grécia num momento crucial, quebrando o típico eixo franco-alemão, deixou a Alemanha finalmente exposta.

Hollande, à boa maneira francesa, pôs as culpas da tragédia grega nos alemães, aparecendo como salvador da pátria, grega e europeia, para reclamar a liderança da Europa.

Sem perder tempo, Hollande apresentou já este Domingo as suas propostas para “relançar a Europa”, através da criação de um Governo da zona Euro, com orçamento e parlamento. Esta “vanguarda” europeia deverá ser constítuida pelos membros fundadores da União Europeia: França, Alemanha, Itália, Bélgica, Luxemburgo e Holanda.

Será mesmo política à grande e à Francesa ou será que alguém se voltou a esconder atrás dos franceses?