Siga-nos

Perfil

Expresso

Europa OK – Grécia KO?

  • 333

Os últimos 5 anos têm sido difíceis para a Europa, especialmente para os países pouco carinhosamente denominados PIGS. Durante este período, a troika obrigou alguns PIGS a andar de bicicleta e outros até a voar. Mas a Grécia sempre demonstrou ter pouco equilíbrio e medo das alturas.

As feridas abertas em credores e devedores, provocadas por 5 anos de crise e austeridade, ficam agora infectadas pela luta entre o Euro e a Grécia. Luta que só podia ter vencidos desde o início, independentemente do resultado final. Ninguém pode agora clamar vitória, tais são os estragos e danos infligidos ao adversário. A ambos. Ao Euro e à Grécia.

Desta vez a culpa não morrerá solteira, pois todos os intervenientes actuais e passados partilham responsabilidades pelo (des)governo da Grécia e pela (má) gestão da crise financeira, da crise política, da crise da união monetária, enfim, da cada vez menos unida União Europeia.

É impossível obter um bom acordo para ambas as partes em maratonas negociais de 17 horas, durante toda a noite. As posições extremam-se com facilidade e os ódios pessoais ofuscam a clarividência de espírito, que ainda poderá restar nestas condições. A pressão do tempo e a necessidade extrema de produzir resultados não são boas conselheiras.

Mas já era impossível há muitas semanas atrás, se não mesmo meses. Há muito tempo que apenas existem opções más e menos más. A conflituosa estratégia negocial do governo grego, baseada no confronto, seria apenas aplicável se acompanhada de superior poder negocial. Superioridade moral ou orgulho nacional não valem muito na contagem de espingardas.

O tempo e o dinheiro estavam do lado dos credores, não da Grécia. E foram a falta de tempo e de dinheiro que precipitaram o acordo obtido na já manhã desta 2ª feira.

Mas ainda ninguém pode respirar de alívio. Mais difícil que acordar o que fazer é efectivamente fazê-lo. E como o diabo está nos detalhes, a execução do acordo é tão arriscada que o resultado final poderá ser muito diferente do expectável. Para pior. Pois os resultados da implementação de políticas fiscais na Grécia nunca são os previstos.

Se o governo grego não conseguir fazer aprovar o acordo no parlamento deverá demitir-se, provocando eleições antecipadas. E não havendo alternativa política actual na Grécia, enterrada pelo referendo, não adiantará de muito, para além de perder ainda mais precioso tempo.

A introdução de uma moeda paralela será inevitável e a saída do Euro uma questão de tempo. A instabilidade geopolítica criada na região pela saída da Grécia, poderá intensificar a crise na Ucrânia e nos Balcãs, tornando tudo ainda mais complicado para a Europa.

É bom relembrar que o principal objectivo da União Económica e Monetária é unir a Europa, e não dividir, como estamos a assistir neste momento. Afinal, 1999 não foi há tanto tempo assim para já se terem esquecido.