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Expresso

&conomia à 2ª

São Feriado

A pré-campanha começou, o país político está em contagem decrescente, para as eleições de 2015. No próximo ano podemos esquecer debates sérios e supostos consensos.

Os casos recentes, a detenção do ex-Primeiro-Ministro José Sócrates, vieram baralhar as contas e até Rui Rio já fala em hipóteses para a maioria nas próximas eleições (um testemunho extraordinário, tendo em conta o passado não muito distante). Mas arrisco-me a dizer que se alguém procurar obter ganhos políticos com o caso, quer para ataques, quer para cabalas defensivas arrisca-se a perder eleitorado.

Para baralhar as ainda mais as contas, temos pelo meio a contenda entre candidatos a candidato presidencial, que já anima debates, alista correligionários e deixa nervosos muitos "senadores" do regime. A vida é assim. O saudoso Êrnani Lopes dizia muitas vezes que, a história era a ciência mais exacta de todas. Podíamos esquecer a matemática, a economia ou o direito. Era na história que estava a ciência e a exactidão. Sobretudo pelos actos e comportamentos, acrescento eu. Ora, como a história o demonstra, nas campanhas presidenciais só existe animada discussão e confronto de dez em dez anos. E, também nessa eleição, existem sempre uns senhores que se acham predestinados a ocupar o Palácio de Belém.

Contudo, começando com estes condimentos políticos para termos um ano em cheio, temos também a adicionar a discussão económica a fazer e a suscitar. Parece que a presença da Troika em Portugal já é coisa do século passado, tal o horizonte que se abre para as novas promessas que nos vão chegando. É agendas para a década sem sumo, é o fim da sobretaxa do IRS, é o aumento da dedução colecta por cada filho, é a reposição dos feriados, é tudo e um par de botas. No entanto, convém não esquecer, que esta nuvem de promessas tem um preço que terá de ser acomodado no Orçamento de Estado para 2016.

Não há varinhas mágicas, milagres económicos a seguir às doze badaladas, nem petróleo no Alentejo. Apesar do reconhecimento do Cante Alentejano, penso que continuaremos a ter de nos conformar com as nossas possibilidades. Assim é importante que a deriva populista não ocupe de vez o centro do debate político.

Mas, como hoje é feriado, daqueles que se escaparam aos cortes, lamento o tipo de discurso que Paulo Portas está a fazer sobre o 1º de Dezembro. É apenas simbólico, todavia torna evidente que a campanha está ao rubro. Foi este Governo, do qual é o Vice-Primeiro-Ministro, que retirou quatro feriados ao calendário nacional Uma medida que gostaria de ver quantificada em ganho de produtividade no país. Uma medida que deveria ter sido mais ponderada, sobretudo tendo em conta o argumento de combate às tradicionais pontes e à paragem produtiva que o País conhece nesses momentos, que poderia ter sido substituída pela ideia, que em tempos, Bagão Félix promoveu, de colar o gozo dos feriados a uma sexta-feira ou segunda-feira, permitindo, de forma eficaz e sem afrontar as pessoas, o uso do dia para descanso. Mas não fica bem, esta forma de estar, esta espécie, sem ofensa para essa profissão, de contas de merceeiro. Governar obriga a sentido e responsabilidade de Estado. E sentido de Estado não se adquire pelas continências recebidas, viagens de promoção no estrangeiro ou fatos com pins na lapela.

Este joguinho de estar com um pé fora e outro dentro, pode ser muito bonito e permitir certos piscar de olhos, a outros pretendentes, para futuros entendimentos, mas o futuro ainda vem longe e estando ainda no Governo, um pouco mais de compostura, articulação e respeito era o mínimo exigível.

Ainda sobre os feriados, também eu gostava de os gozar, penso todos nós. Pelos números que nos foram dados a conhecer, o impacto desta medida é residual. Estima-se que as pontes podem afectar o produto em 0,5 a 1%. Repito, as pontes. Ora, recuperem lá as boas ideias, da própria área política e dêem ao povo o merecido descanso. É que o feriado tem duas vertentes económicas muito importantes. Desde logo o turismo interno, o incentivo à restauração e ao comércio e o já agora, não menos importante, bem-estar e a motivação de quem trabalha. Já merecem boas novas, sem demagogias ou tacticismos eleitorais.