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Expresso

&conomia à 2ª

O FMI já não manda aqui?

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Bom, com o programa da Troika para trás das costas, com os pagamentos antecipados dos empréstimos, através de colocações de dívida da República em mercado, sobretudo ao FMI, por apresentarem taxas de juro mais elevadas que o mercado agora cobra, percebemos que o ambiente ficou mais desanuviado.

Depois do guião pré-definido em que governámos ao sabor da pena dos outros, nós temos, então com a aproximação do processo eleitoral, maior flexibilidade e abrandamento na linha dura da austeridade.

Os funcionários do FMI apressaram-se esta semana a relembrar essa linha. Foram entrevistas, conversas e declarações como forma de ralhete ao caminho pós-troika. Segundo o Económico a estratégia de comunicação começou a ser montada para pressionar o Governo, quanto às reformas que deve fazer.

É óbvio que quem empresta dinheiro está necessariamente preocupado com o pagamento futuro. É compreensível. No entanto, não é, nem pode ser natural que funcionários do FMI se arroguem no direito de vir dar palpites a um País soberano, com um Governo eleito e com eleições à porta, tentando condicionar a agenda política. O protectorado já lá vai...

Esta arrogância tecnocrática, em forma de alerta, só pode receber uma resposta por parte das instituições portuguesas: muito obrigado pelo apoio prestado, pagaremos o que devemos, mas nós por cá somos donos do nosso destino.

É a única forma digna que um Governo, eleito democraticamente pelos cidadãos, tem de responder a estas ameaças, previsões, comunicações e ralhetes.

Todavia, este estilo dos senhores do FMI pode ter um efeito contraproducente. Basta relembrar as últimas eleições na Grécia, o povo votou contra e mandou as instituições da Troika dar uma volta, no momento do voto. Por cá, com pressões do FMI sobre a mudança de rumo, sobre a alteração pós-troika na forma de governar do Executivo, vem desmontar a ideia do bom aluno e do seguidismo acrítico. Se por um lado, a Chanceler Merkel fica incomodada, por outro cai por terra o espírito de mais troikistas que a Troika.

Por conseguinte, dentro deste espírito e tendo em conta a experiência de coabitação estreita com a Troika, não posso deixar de sugerir um livro, que já está nas bancas, do meu amigo Luís Reis Pires, intitulado Segredos de Estado. Esta é uma boa leitura e, ao contrário do Professor Marcelo diz, não é nada lisonjeiro para o Governo (será que o Professor Marcelo lê mesmo os livros que recomenda?).

Adicionalmente, algo bastante relevante para as nossas vidas, o crescimento económico começa a subir, tendo o rei dos tabus, o Presidente Cavaco Silva, apontado para os 2%. Depois não digam que o Presidente não avisou...

São sinais. Singelos sinais. A juntar a um início de pré-campanha assente em casos. Com uma oposição perdida sem dar mostras de rumo, nem de agenda com propostas credíveis e quantificadas (todos sabemos as consequências dos erros de contas...).

É caso para dizer que a procissão ainda vai no adro. Porém neste momento ninguém sabe o resultado. Prognósticos? Como dizia esse poeta do futebol contemporâneo João Pinto: prognósticos só no fim do jogo.